sábado, 9 de junho de 2007

HÁ PALAVRAS QUE NOS BEIJAM


Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill
Imagem: grENDel, Olhares.com

7 comentários:

inês leal, 31 anos à volta do sol disse...

"Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte."

esta sempre foi a minha parte favorita deste poema***

Maria disse...

E que doce é saborear estas palavras inesperadas e sempre novas. A paz do sentir os sentidos das palavras. Obrigado.

wind disse...

Adoro este poema:)
Beijos

Sand disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
avelaneiraflorida disse...

O'Neill!!!!

ESTÁ TUDO DITO!!!!

Porque há "PALAVRAS QUE NOS BEIJAM"...

Deixo o meu BJ.

Antonio Delgado disse...

Há palavras que nos beijam...

bonito começo de um poema. Efectivamente as palavras podem ser comparadas a gestos e actos humanos. Há palavras que nos agrada, nos magoam, nos descobrem, por isso há PALAVRAS QUE NOS BEIJAM...

um abraço
António

3vairado disse...

O que há fora das palavras?