sábado, 30 de junho de 2007

ELOGIO DA DIALÉCTICA


A injustiça avança hoje a passo firme
Os tiranos fazem planos para dez mil anos
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o meu começo

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos

Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga? De nós
De quem depende que ela acabe? Também de nós
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha
E nunca será: ainda hoje
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã

Bertold Brecht

4 comentários:

inês leal, 31 anos à volta do sol disse...

é preciso acreditar no Futuro...*

wind disse...

Brecht sempre!
Beijos

avelaneiraflorida disse...

DEpois de ler Brecht...apetece-me ir a correr buscar ANTÒNIO ALEIXO!!!!

Bjks

3vairado disse...

O problema está no que parece ser a solução: ou há vencedores (que já o são há muuuuuuuuuito- e estamos tramados) ou os vencidos tormam-se vencedores e tramados.
Solução: acreditar e lutar para que não haja vencedores mas apenas jogadores e lutadores (tal como nós.)
Em vez da dialéctica, antes a poética, ou até a noética.