sexta-feira, 15 de junho de 2007

A PORTA BRANCA


Por detrás desta porta,
uma de todas as portas que para mim se abrem e se fecham,
estou eu ou o universo que eu penso.
Deste meu lado, dois olhos que vigiam
os fenómenos naturais, incluindo a celeste mecânica
e as sociedades humanas, sedentárias e transumantes.

Mas podem os olhos fazer a sua enumeração,
e pode o pensado universo infindamente ir-se,
que para mim o que hoje importa
é aquela olhada vaga porta.

Que ela seja só como a vejo, a porta branca,
com duas almofadas em recorte,
lançada devagar sobre o vão do jardim,
onde o gato, por uma fenda aberta
pela sua pata, tenta ver-me,
tão alheio a versos e a universos.

Fiama Hasse Pais Brandão
Cena Vivas
Relógio d´Água

5 comentários:

gasolina disse...

O universo do poeta. O choque do universo do poeta com o universo do gato. Perspectivas.

Boa! Gostei.

Beijo e bom fim de semana para ti!

wind disse...

Bela escolha:)
Beijos

inês leal, 31 anos à volta do sol disse...

***

MariaFaia disse...

Por aquela porta branca
cruzam-se e descruzam-se caminhos.
Por aquela branca porta,
amam os amantes em seus ninhos...

Bom Fim de Semana

avelaneiraflorida disse...

Curioso!

Acabei agora de "postar"...uma porta azul!!!!

Bom fim de Semana!
Bjks