Para recordar: Jean Simmons e Marlon Brando, dois grandes actores, numa cena belíssima do filme "Eles e Elas"(Guys and Dolls), Joseph L. Mankiewicz, 1955.
Eyes of a Woman in Love
Sky: Your eyes are the eyes of a woman in love; And oh how they give you away. Why try to deny you're a woman in love, When I know very well, what I say?
I say no moon in the sky ever lent such a glow; That same gleam deep within makes them shine. Your eyes are the eyes of a woman in love, And may they gaze evermore into mine.
Sara: And what about you? It's got you too. Your eyes are the eyes of a man whose in love;
Sky: That same gleam deep within makes them shine.
Sky & Sara: Your eyes are the eyes of a woman(man) whose in love, and may they gave evermore into mine. Tenderly gaze evermore into mine.
Por falar em Natal e televisão, esta é uma daquelas alturas consumistas do ano, em que a TV nos massacra com anúncios de brinquedos e de perfumes. Grande parte dos anúncios são mesmo de fugir, no entanto de vez em quando há alguns que valem mesmo a pena. Selecionei então alguns anúncios de perfumes que encontrei no You Tube e achei interessantes.
Eu não sou garande adepto do consumismo exagerado, no entanto aproveito para lembrar que estamos na época natalícia, e que estou quase a fazer anos e já estou farto da peúguita da praxe.
Este é o mais lindo de todos, com o delícioso "Good Friday" de Coco Rosie. Aliás os anúncios da Kenzo, no conjunto, são de longe os melhores.
Este só pela música já merecia estar aqui.
Começa com os Pixies e prossegue com alguns clássicos do cinema. Simplesmente fabuloso!
A todos os que ainda vão persistentemente passando por aqui e pelos meus outros espaços queria pedir desculpas por esta longa ausência. Podem não ter reparado mas este blogue tem apenas funcionado, digamos,num modo automático. Isto quer dizer que, de vez em quando ponho para aqui um vídeo só para dar uma prova de vida. Assim é e assim vai continuar a ser durante os próximos tempos, pois infelizmente não tenho tempo para nada.
Entetanto pode ser que quando decidir regressar a sério, isto já seja um país em condições; sem "Faces Ocultas", "Freeports", BPNs, escutas nem "Casas Pias". Pode até ser que pela primeira vez um "poderoso", em Portugal, vá parar à cadeia. Ou que o Sporting ganhe o campeonato, quem sabe?
Estamos mais uma vez no Natal, habitualmente a época em que a TV nos massacra com espectáculos circenses. Uma vez que os animais estão proíbidos, parece que o circo se mudou para os lados de S. Bento, pelo menos os "palhaços" não faltaram. Aliás faço a mesma pergunta que vinha hoje no cartoon do DN: Porque é que a "Tia da Linha" é tratada, na comunicação social, pelos seus quatro nomes, enquanto o "Palhaço", é simplesmente tratado por "deputado do PS"? Realmente isto é um Carnaval em pleno natal.
Finalmente, parece que o PS se prepara para aplevar a Conselho de Ministros, a lei pela qual, é totalmente a favor, mas que votou contra na anterior legislatura. Bem mais vale tarde que nunca, no entanto já podia ter tudo resolvido sem levantar grandes ondas. Agora há que aprovar, à pressa uma lei que fazia parte do programa eleitoral, e que serviu até para ir "pescar" o Miguel Vale de Almeida, o primeiro deputado homossexual eleito para o nosso parlamento. Entretanto vamos lá despachar isto que para o ano vem o Bentinho e não queremos cá chatices fracturantes por essa altura.
Este blogue é habitualmente dedicado à música e às artes em geral, hoje no entanto, apeteceu-me escrever, coisa que nem é muito habitual por aqui.
Volto a repetir o pedido de desculpas pela minha ausência, tanto deste, como dos vossos blogues e desejar desde já a todos um Feliz Natal!
Pera aí!
Eu disse "o primeiro deputado homossexual"? O primeiro assumido, claro!
Madrugada, o porto adormeceu, amor, a lúa abanea sobre as ondas piso espellos antes de que saia o sol na noite gardei a túa memoria.
Perderei outra vez a vida cando rompa a luz nos cons, perderei o día que aprendín a bicar palabras dos teus ollos sobre o mar, perderei o día que aprendín a bicar palabras dos teus ollos sobre o mar.
Veu o loito antes de vir o rumor, levouno a marea baixo a sombra. Barcos negros sulcan a mañá sen voz, as redes baleiras, sen gaivotas.
E dirán, contarán mentiras para ofrecerllas ao Patrón: quererán pechar cunhas moedas, quizais, os teus ollos abertos sobre o mar, quererán pechar cunhas moedas, quizais, os teus ollos abertos sobre o mar.
Madrugada, o porto despertou, amor, o reloxo do bar quedou varado na costeira muda da desolación. Non imos esquecer, nin perdoalo.
Volverei, volverei á vida cando rompa a luz nos cons porque nós arrancamos todo o orgullo do mar, non nos afundiremos nunca máis que na túa memoria xa non hai volta atrás: non nos humillaredes NUNCA MÁIS.
Fiz esta pequena brincadeira, aproveitando o riquíssimo universo gráfico desta banda, para celebrar o seu regresso ao nosso país. PORCUPINE TREE: Dia 20 de Novembro na Incrível Almadense Dia 21 de Novembro no Teatro Sá da Bandeira no Porto.
Um dos maiores nomes de sempre da antropologia moderna faleceu sexta-feira a poucas semanas de completar 101 anos.
Já não há nada para descobrir à face da Terra, o planeta onde, quando nasceu Claude Lévi-Strauss, há quase 101 anos (cumpri-los-ia no dia 28), viviam dois mil milhões de pessoas, e agora é habitado por mais de seis mil milhões. "Para mim, isso representa qualquer coisa de catastrófico", disse ao PÚBLICO em 1999. O antropólogo francês que foi uma das maiores figuras intelectuais do século XX morreu no domingo, foi ontem anunciado.
Tristes Trópicos (Edições 70), o seu livro mais lido, ajudou-o a transcender as fronteiras da Antropologia enquanto ciência e deu-lhe créditos como escritor. Escreveu-o em 1955, já distante das expedições à selva amazónica, entre 1935 e 1939, quando entrou em contacto com tribos que a civilização branca europeia começava a conhecer. Falava do que viveu entre Cadiueus, Bororos, Nambiquaras e Tupi-Cavaíbas e dos seus sentimentos.
"Lévi-Strauss teve sobre mim uma influência considerável. Uma das suas lições foi suprimir do nosso vocabulário a palavra "selvagem"", comentou o escritor francês Michel Tournier, citado pela revista Nouvel Observateur no ano passado, quando o antropólogo comemorou 100 anos de vida (nasceu em Bruxelas, mas era francês).
"Ao fazer-nos compreender e partilhar a singularidadde dos primeiros povos, Lévi-Strauss rompeu com uma visão etnocêntrica da história da humanidade", disse ontem Bernard Kouchner, ministro dos Negócios Estrangeiros francês, e antes disso médico famoso pelo seu trabalho humanitário internacional.
Era conhecido como "o Papa do Estruturalismo", uma corrente de pensamento com raízes na linguística. Usou este método para estudar a mitologia, os sistemas de parentesco nas sociedades primitivas - os "primeiros povos" de que fala Kouchner - ou a preparação da comida.
"O Estruturalismo é um método que vale sempre", frisou o filósofo português José Gil à agência Lusa. Esta corrente de pensamento "continua válida enquanto método".
Judeu da Alsácia, de uma família culta mas com pouco dinheiro, onde a arte e a pintura estavam muito presentes, estudou Direito e Filosofia, apaixonou-se pelo marxismo em adolescente. Mas optou pela Filosofia.
Encontrou a Etnologia num livro de Robert Lowie (especialista no estudo dos índios americanos). Foi essa paixão que lhe valeu um convite para ir ensinar para São Paulo, o que lhe possibilitou as viagens à Amazónia.
Passou a Segunda Guerra Mundial nos Estados Unidos. Lá, teve de mudar de nome: passou a ser o professor Claude L. Strauss. Por causa da marca das calças de ganga, disseram-lhe...
Mas foi a partir de 1955, já em França, que Tristes Trópicos lhe deu fama mundial. Relato de viagem de pendor iniciático, obra filosófica e literária também, tornou-se numa das referências da literatura do século XX, dizia ontem o jornal Libération.
Em dois discursos que foi convidado a fazer na ONU, Raça e História e Raça e Cultura (1952 e 1971), arrasa as pretensões científicas do racismo. Na década de 60, dedicou-se à análise comparativa das mitologias, demonstrando a sua estrutura comum - outra parte da sua obra de influência duradoura. Era um dos últimos grandes intelectuais franceses - "o último dos gigantes", chamou-lhe a Nouvel Observateur.
«Já não é o bichinho da rádio que morde, já sou eu que sou o bicho da rádio!»
Numa altura em que ainda não havia internet para "sacar" músicas ou "MySpace" para conhecer as bandas, era com os amigos, as cassetes emprestadas ou por alguma rádio que se podiam conhecer as tendências musicais mais alternativas.
Por essa altura era sempre um prazer ouvir programas como o Rock em Stock ou o Lança-Chamas, com a voz inconfundível de António Sérgio.
Nesses idos anos 80 a "Rádio Comercial" era a minha grande companhia, e sempre acompanhei o António Sérgio, lembro-me do "Som da Frente" e a Hora do Lobo por exemplo. Foi até a Rádio Comercial começar a fazer jus ao seu nome que deixei de a ouvir. Foi também por esse mesmo motivo que programas de autor, começaram a desaparecer da rádio, substituidos pelas horrendas "playlists" que passam horas sempre a passar as mesmas músicas. Foi essa mesma política que despediu um dos mais carismáticos locutores do meu tempo. Felizmente não lhe faltou emprego pois foi contratado pela "Radar" onde apresentava o programa Viriato 25 e fazia também "voz off" na SIC.
Assim perdemos um dos últimos grandes radialistas portugueses. Já sinto a falta daquela voz inconfundível.
Finalmente, o escritor de canções lança um livro de poesia
«Não são canções, pelo menos as que pratico. Aqui, não há métrica mais ou menos regular (são diferentes implosões e diferentes explosões), não há rima (pode até havê-la, aqui e ali, mas apenas como um acaso que emergiu de um outro todo), e não há, com certeza, uma linha narrativa que se queira reconhecível – há aqui vários poemas que, a bem ver, não repousam em nenhum tema particular, antes cruzam referências e sobretudo memórias daquilo que foi crescendo, em cachos díspares, na minha árvore.»
Sérgio Godinho
Memória ao abandono
Memória ao abandono a válvula do sono aberta. Desdobra panos Hélice, ela a grande borboleta se é por pousar já pousou - despejando o vento na abertura do vulcão encarninhando a lava no sentido giratório
Antes tive medo de ter sono agora é planeta a planeta.
Sérgio Godinho O Sangue por um Fio Assíro & Alvim, 2009
Conhecida como a 9.ª Arte, a Banda Desenhada foi muitas vezes menosprezada em relação a outro tipo de literatura, pois estava conotada com o lazer e com a noção de que era leitura para crianças. No entanto aprendi muito com os meus livros de Banda Desenhada; do Tintim ao Corto Maltese, não só aprendi como também viajei em sonhos ao lado desses grandes aventureiros.
2009 é um ano que marca aniversários especiais para alguns dos heróis que fizeram parte das vidas de muitos de nós:
Começo pela Mafalda, a irreverente menina criada por Quino à 25 anos. Além de odiar sopa, continua sempre atenta ao que se vai passando no mundo. Este ano a data foi marcada com a inauguração de uma estátua da Mafaldinha em pleno centro de Buenos Aires.
Mais velhinhos são as personagens criados por Peyo, que eu tanto li na minha infância, embora hoje já não me cativem da mesma maneira. Fez esta semana 51 anos que os "Strumpfs", essas encantadoras criaturas azuis, surgiram nas páginas da Revista Spirou.
Em Julho deste ano foi a divertida, mas por vezes irascível (só quando o Cebolinha se porta mal) Mónica que chegou aos 50 anos. Deve ter feito uma plástica pois ainda tem ar de criança.
Finalmente um dos meus preferidos de sempre, Astérix que fez ontem 50 anos. Para comemorar o aniversário foi lançado um novo álbum, que não é própriamente uma aventura mas quase uma revisão dos 50 anos do herói. Também o "Google" se associou à data como um magnífico "logo":
Tenho todos os livros da colecção, já os li dezenas de vezes, cada uma com um novo olhar. Engraçado, que agora que estudo História, dou comigo a devorar os álbuns com sentido crítico, a reparar nos pormenores da arte e da arquitectura romana e a deliciar-me ainda mais com os anacronismos que tornam a série muito mais divertida.
Para quem sempre se habituou às velhas edições, principalmente da Mériberica, custa-me um bocado ler os nomes traduzidos, mas paciência, foi a opção da ASA. No entanto, para mim o Panoramix, será sempre o Panoramix, assim como Ordralfabetix e Assurancetourix.
A notícia da morte da cantora Mercedes Sosa chegou sem grande surpresa face ao grave estado de saúde em que "la Negra" se encontrava. A popular cantora foi, ao lado de Víctor Jara ou Violeta Parra, um dos maiores nomes da canção de protesto da América Latina. Entre os seus maiores sucessos estão exactamente duas versões de Violeta Parra; "Gracias a la Vida" e "Volver a los 17", esta última numa lindíssima versão em dueto com Milton Nascimento.
Volver a los 17
Volver a los diecisiete después de vivir un siglo Es como descifrar signos sin ser sabio competente, Volver a ser de repente tan frágil como un segundo Volver a sentir profundo como un niño frente a dios Eso es lo que siento yo en este instante fecundo.
Se va enredando, enredando Como en el muro la hiedra Y va brotando, brotando Como el musguito en la piedra Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.
Mi paso retrocedido cuando el de usted es avance El arca de las alianzas ha penetrado en mi nido Con todo su colorido se ha paseado por mis venas Y hasta la dura cadena con que nos ata el destino Es como un diamante fino que alumbra mi alma serena.
Se va enredando, enredando Como en el muro la hiedra Y va brotando, brotando Como el musguito en la piedra Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.
Lo que puede el sentimiento no lo ha podido el saber Ni el más claro proceder, ni el más ancho pensamiento Todo lo cambia al momento cual mago condescendiente Nos aleja dulcemente de rencores y violencias Solo el amor con su ciencia nos vuelve tan inocentes.
Se va enredando, enredando Como en el muro la hiedra Y va brotando, brotando Como el musguito en la piedra Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.
El amor es torbellino de pureza original Hasta el feroz animal susurra su dulce trino Detiene a los peregrinos, libera a los prisioneros, El amor con sus esmeros al viejo lo vuelve niño Y al malo sólo el cariño lo vuelve puro y sincero.
Se va enredando, enredando Como en el muro la hiedra Y va brotando, brotando Como el musguito en la piedra Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.
De par en par la ventana se abrió como por encanto Entró el amor con su manto como una tibia mañana Al son de su bella diana hizo brotar el jazmín Volando cual serafín al cielo le puso aretes Mis años en diecisiete los convirtió el querubín.
dizem que a paixão o conheceu mas hoje vive escondido nuns óculos escuros senta-se no estremecer da noite enumera o que lhe sobejou do adolescente rosto turvo pela ligeira náusea da velhice
conhece a solidão de quem permanece acordado quase sempre estendido ao lado do sono pressente o suave esvoaçar da idade ergue-se para o espelho que lhe devolve um sorriso tamanho do medo
dizem que vive na transparência do sonho à beira-mar envelheceu vagarosamente sem que nenhuma ternura nenhuma alegria nunhum ofício cantante o tenha convencido a permanecer entre os vivos.
Por falar em Beatles, um belíssimo vídeo, com uma magnífica versão de Rufus Wainwright para "Across the Universe" dos "fab four". O vídeo é lindo e consegue, no meu entender, aliar a obra dos Beatles, à grande voz de Rufus e ao mundo surrealista de Magritte.
Esta é a notícia que qualquer bom melómano ansiava: Os 13 álbums dos Beatles remasterizados: "Please Please Me"; "With the Beatles"; "A Hard Day's Night"; "Beatles for Sale; Help!; Rubber Soul; Revolver; Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band; Magical Mistery Tour; The Beatles ou White Album; Yellow Submarine; Abbey Road; Let it Be e ainda a colectânea Past Masters.
Pela primeira vez o som dos "fab four" surge em grande qualidade digital, da mesma maneira como se Lennon, McCartney, Harrison e Starr tivessem gravado os discos nos dias de hoje. Já podemos olhar para obras-primas como "Revolver", "Sgt. Pepper's" ou o "White Album" com outros ouvidos.
Foi no dia 8 de Setembro de 1504 que uma das mais famosas obras de arte do mundo foi apresentada em Florença. Miguel Angelo demorou cerca de 3 anos para concluír a seu David, que foi construído em mármore de Carrara medindo 5,17 m.
A obra tem fascinado o público ao longo destes 505 anos pelo seu fantástico realismo; desde o cabelo revolto ao pormenor de cada músculo ou das veias da mão, tudo é perfeito. A estátua fascina também pelo seu carácter inovador pois, pela primeira vez, o herói bíblico é representado imediatamente antes da batalha contra o gigante Golias, e não após como em obras anteriores de mestres como Donatello (1386-1466) ou Verrocchio (1435-1488). David parece concentrar-se para o combate contra o gigante que todos consideram impossível de bater.
A estátua permaneceu em frente ao Palácio Velho, na Praça da Senhoria até 1873, data em que foi transferida para a Galeria da Academia de belas Artes de Florença. No seu lugar original foi colocada uma cópia.
Foi há 400 anos que Galileu abriu uma janela para o Universo. No dia 25 de Agosto de 1609 Galileu Galilei apresentou ao Senado de Veneza a sua nova invenção, o telescópio. Agora o homem podia observar para além das estrelas. Obcecado pela perfeição, não tardou a aperfeiçoar as lentes, a 7 de janeiro de 1610 avistou pela primeira vez 4 das 16 luas de Júpiter: Calisto, Europa, Ganímedes e Io.
Heliocentrismo
Foi também graças ao telescópio que Galileu veio apoiar a teoria heliocêntrica, defendida quase um século antes por Nicolau Copérnico. Galileu, tal como o astrónomo e matemático polaco, acreditava que a Terra e os restantes planetas do sistema solar giravam em torno do Sol. Isto ia contra a doutrina geocêntrica de Aristóteles e Ptolomeu, que estabelecia a Terra como o centro do Universo, tendo o Sol e os restantes corpos celestes a girar à sua volta.
Galileu Enfrenta a Inquisição; Cristiano Banti (1857)
Estas ideias foram consideras heréticas, subversivas e perigosas, pois iam contra a doutrina estabelecida pela igreja. Perseguido pela inquisição, foi julgado pelo Santo Ofício e proíbido de divulgar as suas teorias. Obrigado a renegar aquilo em que acreditava, conseguiu evitar uma pena dura; Galileu viveu num sistema de prisão domiciliária até ao fim dos seus dias. À saída do julgamento terá proferido as palavras que ficaram para a história:
"Eppur si muove" - "No entanto ela move-se"
Da junção das palavras gregas "tele" (ver) e "scopio" (longe), o telescópio foi o objecto que permitiu ao homem mudar a maneira de ver o seu próprio mundo.
Por fim tenho que lembrar Rómulo de Carvalho; o homem de ciência encarnado em corpo de poeta:
Eu queria agradecer-te, Galileu, a inteligência das coisas que me deste. Eu, e quantos milhões de homens como eu a quem tu esclareceste, ia jurar - que disparate, Galileu! - e jurava a pés juntos e apostava a cabeça sem a menor hesitação - que os corpos caem tanto mais depressa quanto mais pesados são.
Pois não é evidente, Galileu? Quem acredita que um penedo caia com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia? Esta era a inteligência que Deus nos deu.
He’s just a boy that his lost his way He’s a rebel that has fallen down He’s a fool been blown away To you and me he’s a renegade
He’s a clown that we put down He’s a man that doesn’t fit He’s a king but not in this town To you and me he’s a renegade
But he is a king when he’s on his own He’s got a bike and that’s his throne And when he rides he’s like the wind To you and me he’s a renegade
He’s just a boy who has lost his sights He’s a stranger, prowls the night He’s a devil, that’s right To you and me he’s a renegade
Check it out, check his face Look at his eyes, they’re so sly I wonder why he cries from the inside I wonder why he’s a renegade
Oh please, I’m on my begged bended knees Oh please, please heed my call He’s just a boy that has lost his way He’s just a boy, that’s all
Phill Lynott, Snowy White.
Se fosse vivo, Phill Lynott faria 60 anos no passado dia 20 de Agosto. Foi líder dos Thin Lizzy, uma das grandes bandas de rock dos anos 70 e 80. Além do fabuloso "Live and Dangerous" (1978), destaco na discografia dos Lizzy este "Renegade" de 1981.
Em 1979, Lynott foi fotografado em Lisboa por Ross Halfin; eis as imagens com um cheirinho a PREC:
"Phil Lynott was one of the coolest people you could ever meet" Ross Halfin
Michelangelo Merisi da Caravaggio A Morte da Virgem (1606)
Ela é a virgem, embora tenha conhecido muitos homens e os seus filhos peregrinem pelo mundo com lágrimas nos olhos por não terem mãe.
Já cadáver, encontrei-a no Tibre, e trouxe-a para aqui para a pintar, sabendo que os frades não me irão indultar a ousadia – hão-de dizer que a tela é indecorosa e que no meu trabalho nunca largo o escândalo que me é próprio, sempre tocado pela lascívia.
Na bacia de cobre está um preparado com vinagre para lavar o corpo da defunta, sendo que aos pés da morta é Maria Madalena que se vê, com a cabeça caída sobre o peito por ser fundo o desgosto de ver a amiga morta – tinham chegado a Roma há muito tempo e conheciam-se de pequenas aventuras nas tavernas, sendo que às vezes partilhavam a cama e os clientes, ou, sendo caso disso, uma manta no Inverno, ou algum pão, escasso, o mais das vezes.
No centro da pintura estão três apóstolos. A razão por que um deles está estupefacto e ergue a mão direita tem a ver, somente, com o drama de a morte ser injusta, usurpe alguém divino, ou um miserável que não tenha onde cair morto.
Mateus, de todos os apóstolos o mais sábio, porque estudou nos livros e na vida, sabe que não há bálsamo eficaz para quem parte, por muito que tenha já sofrido; por isso, o represento assim, inconformado, com uma mão aberta, e outra fechada:
a vida é tudo o que nos resta estando vivos – o que vem a seguir nunca se sabe que dimensões comporta, mesmo que haja luz no outro lado e a promessa de bondade seja cumprida.
Ao lado de Mateus, pintei Tiago, que presume que a mulher não faleceu, mas só se encontra adormecida – se deu à luz, um dia, e os seus filhos estão aí a comprová-lo, ainda que dispersos pelo mundo, é porque o transe da morte ultrapassou, e dorme, apenas, para que conheça a eternidade e influencie o céu com a sua doçura perene de mulher.
O outro é Lucas, que, a olhar em frente, está a tentar compreender o que é um corpo, essa engrenagem obscura, que, sem álibis, nos reflecte os métodos de Deus – que dá, a cada um, um modo de sorrir e de chorar, um modo de sofrer e de amar, um modo de nascer e de morrer.
Atrás dos três apóstolos, está disposto o mundo – é gente que encontrei pelos mercados e, em silêncio, dá testemunho de que há na terra um tempo em que se deve duvidar do que é certo, sendo que certa há-de estar sempre a morte, mas, também, o trabalho que aguarda pelas nossas mãos, na oficina, nos campos ou em casa.
Um é curtidor de peles, outro negoceia cereais e vinhos, outro faz cestos, e vende-os pelas praças, outro é talhante, um outro é ferrador e é barbeiro, outro é astrónomo, outro copista, outro é soldado, e outro pede esmola nas vielas, a gritar a quem passa por piedade.
O mundo, pois. Onde esteja a morte é bom que um pintor figure o mundo, para que no jogo de sombras fique incluso esse jogo mais duro do confronto com a realidade, onde o próprio veludo tem cores cruas.
É isto que os frades me não perdoam – o meu desassombramento perante o mundo, a concisão patente no que faço, chamando-lhe indecência e insinuando que vesti de vermelho esta mulher por gozo pessoal e por volúpia.
Não é verdade. Antes de mais, porque a encontrei assim. Depois, porque pensei que numa mulher não há pecado, seja ela quem for e de onde venha. Por último, porque tratando-se da virgem, só mesmo o sangue a pode vestir, o sangue espesso e forte, de modo que quem olhar esta pintura saiba o que vê, imediatamente:
uma mãe que o sofrimento jamais abandonou, em tudo o que viveu – os perigos que há ao dar à luz, a fuga para o Egipto, a ameaça concreta no Sinédrio, a árdua resistência necessária para perscrutar em qualquer cruz a iniquidade que o destino alcança.
Inchado, maculado, desfigurado tem o seu rosto esta mulher morta, adormecida.
E eu sou Caravaggio, que luto, denodadamente, com a arte para que a tragédia, sagrada ou profana, se represente igual à sua gravidade, cantem, ou não, os anjos as hossanas, goste-se, ou não se goste, do que faço.
A vida é turbulência – e é assim que chega às minhas telas,
e é assim que o que pinto, entre claros e escuros, me proclama.
Amadeu Baptista "Poemas de Caravaggio".
Originalmente encomendada para a Igreja de Santa Maria della Scala em Travestere; "A Morte da Virgem" acabaria por ser recusada quando se soube que o famoso pintor teria usado como modelo da mãe de Cristo uma prostituta morta encontrada a flutuar no Rio Tibre.
Há 40 anos ainda havia quem acreditasse que era possível mudar o mundo. Hoje é essa geração que está no poder...
Woodstock foi há 40 anos. Nos muitos festivais que há hoje seria possível repetir este espírito de música amor e liberdade? Seria possível ir ao Sudoeste e ver jovens a dançar nus ao som da sua banda favorita?
Estavam ali diante dos meus olhos: era terrível e ao mesmo tempo fascinante. Ao princípio pensei que ele a estava a matar, logo a seguir percebi que não, que talvez ambos estivessem a morrer, só depois qualquer apelo misterioso e distante se fez carne em mim. Então todo eu fiquei amarrado aos seus gestos, àquela respiração fatigada e difícil, àquele balbucio que lhes saía ralo da boca.
Os seios de Maria caíam nus da blusa. Uma das mãos do carpinteiro perdia-se nos seus cabelos emaranhados, a outra parecia ter-se enterrado na areia. O resto era aquele corpo todo de homem fremente e quase hirto, ao mesmo tempo, à força de concentrar todo o ímpeto nas nádegas, arco de onde a flecha partia, para se cravar exasperada nas entranhas ardentes e sombrias da rapariga. Parecia um cavalo ofegante – os olhos cerrados, o suor escorrendo da raiz dos cabelos, espalhando-se pelas costas, pelos flancos, pelas pernas, quase todas descobertas. Um cavalo cego mordendo o céu branco de agosto. Mas a voz da terra chamou-o, e um relincho prolongado encheu o leito do ribeiro, morreu no alto dos amieiros. Por fim, a paz desceu ao mundo.
Maria olhava o carpinteiro com uns olhos rasos de espanto, como quem tivesse perdido tudo naquele instante. Lentamente passou-lhe a mão pelo cabelo, numa carícia tímida, e começou a chorar. O carpinteiro olhou-a também, mas os seus olhos eram diferentes, havia neles sombra e solidão. Eram uns olhos nocturnos, negros como poços fundos, que afirmavam a morte.
Sem uma palavra, o homem ergueu-se e começou a mijar. A rapariga levantou-se a seguir e, de costas, parecia limpar as pernas. Eu escondi-me melhor atrás dos amieiros, não vi mais nada. Senti os passos de ambos afastarem-se, cada um para seu lado, com o coração pequeno, apertado. De um salto, atirei-me à cama que os seus corpos haviam feito na areia, respirando avidamente, como se o ar pudesse trazer-me mais do que o cheiro morno e acidulado da urina, e deixei de perceber os passos já distanciados, o estalar dos ramos secos aqui e ali, para só ouvir o silêncio.
Era um silêncio no areal, nas árvores, nas nuvens. Um silêncio na tarde, na rua, nas casas. Um silêncio no pão, na água. Um silêncio que se tornava dia a dia mais pesado mais devorador.
Um silêncio feito dos seios de Maria, dos flancos suados do carpinteiro, que me despertava a carne durante a noite, me fechava os olhos pela madrugada, me dava vontade de fugir durante o dia.
A Lua e as Pléiades estão deitadas, o tempo passa e estou sozinha no meu leito, no meio da noite.
*
As crianças trazem bonitos presentes e ouve-se tocar melodiosa lira.
*
Mas a velhice já enrugou toda a minha pele, os meus cabelos negros tornaram-se brancos, os joelhos já não me aguentam, e eu que parecia uma corça.
*
Que posso fazer? É inevitável: a aurora de braços rosados leva-nos para a cova. Mas eu ainda amo a volúpia e o amor tem para mim o brilho e a beleza do sol.
*
Eu estremeço e a velhice já cobre a minha pele. o amor evade-se na perseguição dos jovens.
Agarra na tua lira e canta-nos, Afrodite, com os seios cobertos de violetas.
Safo, "O desejo" Trad. Serafim Ferreira Editorial Teorema, 2003
Hoje, como muito bem lembra o Google, comemoram-se os 127 anos do nascimento de Igor Stravinsky.
Oportunidade para recordar um dos maiores coreógrafos de sempre; Maurice Béjart (1907-2007) O coreógrafo francês foi o homem que no dia 6 de Junho de 1968, em pleno Coliseu dos Recreios, anunciou o assassinato de Robert Kennedy. Após um duro discurso contra todas as ditaduras seguiu-se um ensurdecedor minuto de silêncio. Nessa mesma noite, a PIDE foi buscá-lo ao seu quarto de hotel e só largou na fronteira com Espanha. Logo após o 25 de Abril regressa a Portugal para apresentar o mesmo espectáculo; Romeu e Julieta. Em 1998 foi agraciado pelo Presidente Jorge Sampaio com a Ordem do Infante D. Henrique. Viria a falecer em Lausanne a 22 de Novembro de 2007.
Para a história ficam belas coreografias como esta Sagração da Primavera, Romeu e Julieta ou o inesquecivel Bolero de Ravel imortalizado na fabulosa sequência final do filme de Claude Lelouch Les uns et les autres (1981).
Le Sacre du Printemps é um bailado em dois actos que conta a história de uma jovem imolada ao deus da Primavera, num ritual para trazer boas colheitas à tribo. A música composta por Stravinsky foi algo de completamente revolucionário para a época e marcou a entrada no modernismo. O bailado estreou no Teatro dos Campos Elíseos em 1913 e foi brindado com uma vaia monumental.
Aqui está um excerto da coreografia de Béjart Para a Sagração da Primavera; Um bailado vivo e pleno de sensualidade tal como era seu timbre.
João Bénard da Costa morreu hoje, aos 74 anos. Divulgador de cinema, director da Cinemateca Portuguesa desde 1991, Bénard da Costa nasceu a 7 de Fevereiro de 1935.
A Cinemateca Portuguesa anunciou em comunicado que o corpo do seu director, João Bénard da Costa, estará na Igreja de S. Sebastião da Pedreira, em Lisboa, ao final da tarde de hoje. Numa última homenagem ao cinéfilo que dirigiu a instituição desde 1991 (e que era membro da direcção desde 1980), a Cinemateca – que suspende hoje as suas sessões – vai projectar, em data e hora a anunciar, o filme da vida de Bénard: Johnny Guitar, de Nicholas Ray. Num inquérito de jornal em que lhe pediam para dizer qual o seu filme preferido, Bénard respondia: Johnny Guitar, de Nicholas Ray; porque era ele; porque era eu”.