sexta-feira, 18 de maio de 2007

QUANDO VIR VAGUEAR O CORPO DA NOITE


Quando vir vaguear o corpo da noite
dançante, por entre os cascos da bruma,
virei até à janela que se despenha
no jardim das palavras.

Pedirei à sombra que me conceda ainda o verso
o verso sujo, lâmina ou centelha
ateando a manhã, entre o café
e este lume do silêncio,
a arder pela flor da giesta.

Não mais cantar senão o ar
ou as mãos que poisam, tão quietas
detentoras de incerteza, apenas.
Ficar assim, no olhar destas vidraças
onde julgo ver a vida que sonho ser

Maria João Cantinho

7 comentários:

avelaneiraflorida disse...

Excelente!!!!
Um poena e uma foto BRILHANTES!!
Um bom dia para ti!
Bjks

Moura ao Luar disse...

Bem devo dizer que a foto é um bocadinho estranha.... hehe assim fico com medo de ir à praia

wind disse...

Muito forte!
Beijos

Gi disse...

Carregado de sentimento. Forte mesmo, mas gostei.

Beijinhos

Ludovicus Rex disse...

Muito Bom...

Um abraço e bom Fim de semana

Mário Margaride disse...

Meu amigo...belíssimo poema!

Gostei muito deste poema. Em especial deste último verso onde diz:

"Não mais cantar senão o ar
ou as mãos que poisam, tão quietas
detentoras de incerteza, apenas.
Ficar assim, no olhar destas vidraças
onde julgo ver a vida que sonho ser"

Sublime!

Abraço meu amigo

Antonio Delgado disse...

A poesia é uma excelente arte para descrever pensamentos de forma muito elevada gostei muito da ideia " onde vejo a vida que julgo ser". A fotografia é muito bonita e em meu ver acasala-se muito bem com o poema.