terça-feira, 8 de maio de 2007

O CHARLATÃO




Numa ruela de má fama
faz negócio um charlatão
vende perfumes de lama
anéis de ouro a um tostão
enriquece o charlatão

No beco mal afamado
as mulheres não têm marido
um está preso, outro é soldado
um está morto e outro f´rido
e outro em França anda perdido

É entrar, senhorias
a ver o que cá se lavra
sete ratos, três enguias
uma cabra abracadabra

Na ruela de má fama
o charlatão vive à larga
chegam-lhe toda a semana
em camionetas de carga
rezas doces, paga amarga

No beco dos mal-fadados
os catraios passam fome
têm os dentes enterrados
no pão que ninguém mais come
os catraios passam fome

É entrar, senhorias
a ver o que cá se lavra
sete ratos, três enguias
uma cabra abracadabra



Na travessa dos defuntos
charlatões e charlatonas
discutem dos seus assuntos
repartem-se em quatro zonas
instalados em poltronas

P´rá rua saem toupeiras
entra o frio nos buracos
dorme a gente nas soleiras
das casas feitas em cacos
em troca de alguns patacos

É entrar, senhorias
a ver o que cá se lavra
sete ratos, três enguias
uma cabra abracadabra

Entre a rua e o país
vai o passo de um anão
vai o rei que ninguém quis
vai o tiro dum canhão
e o trono é do charlatão

Entre a rua e o país
vai o passo de um anão
vai o rei que ninguém quis
vai o tiro dum canhão
e o trono é do charlatão

É entrar, senhorias
a ver o que cá se lavra
sete ratos, três enguias
uma cabra abracadabra

Letra: Sérgio Godinho
Música: José Mário Branco

8 comentários:

avelaneiraflorida disse...

NADA MAIS APROPRIADO!

Como sempre oportuno!!!
Bjks

Maria disse...

Subscrevo... apropriado! Não sei se ria se chore. Melhores dias virão. Beijinhos, um dia bom!

wind disse...

Excepcional post!
Excelente junção do poema com as imagens:)
Beijos

Maria disse...

A descrição perfeita do circo das anormalidades que povoam e governam este país...

SA disse...

excelente poema. adorei :)

Flash disse...

Cada dia se torna mais evidente que somos governados por um bando de PALHAÇOS!!!

rui disse...

bem lembrado!

CORCUNDA disse...

Muito apropriado, sem dúvida!
Abraço.