domingo, 18 de novembro de 2007

OUTONO


Faz frio. Outono. Chuvisca.

Nos Jardins cai agora o desconforto
Do adeus do fim do dia.
Passo o vento arrefecendo
As flores nos seus canteiros
E um sopro de claridade
Beija uns lírios e umas rosas
Numa curva fugidia...

Estremecem os meus nervos
Como se alguém lhes tocasse...

Engrossou a ventania.

As árvores vão ficando
Como coisas que perderam
A consistência da vida.

Tombam as folhas. E a noite
Agita uns lenços de sombra
E fica mais negra e funda
Nesta simples despedida.

António Botto
Imagem: Sofia Rodrigues, Olhares.com

5 comentários:

avelaneiraflorida disse...

Que saudades de António Botto!!!!

Consegues sempre dar-me uma pista, Amigo Papagueno!!!!!

De repente recordei os dias de infância...
"BRIGADOS"!!!

Bjks

Alma Nova disse...

O cheiro da nostalgia do Outono nas palavras de António Botto. Lindo, amigo.

pinguim disse...

Botto, Botto, sempre e mais António Botto!
É urgente pôr as pessoas a conhecer e a ler este imenso "poeta maldito"...

gasolina disse...

Sempre o Outono, a minha estação favorita...
Foi bom lembrar Botto.Obrigado.

Um beijo.

Maria del Sol disse...

Já sabes o que sinto pelo Outono... mas é sempre bom reconhecer-me em palavras mais sagazes que as minhas :)

Beijinhos e uma boa semana