quinta-feira, 26 de julho de 2007

ESPECTROS QUE VÊM DAS ESTRELAS


Na noite vidro, um brilho de fósforo: azul.
Ouvi dizer que as estrelas são as moradas dos mortos,
irradiam assim alguma possibilidade?..
De qualquer modo saem dos nichos os algozes
que nos torturarão ao longo de uma vida inteira...
«Como te chamas ?», pergunta-se para haver resposta.
Descem com os grandes farricocos de Lua esgazeada,
sem O. V. N. I. de seda que lá nos possam flutuar
e vogam só as capas de morcego sobre os olhos.
Sigo-os eu até às suas pernas clandestinas,
dançam já e cortam-me a cabeça-
para quê voar dêem-me aquele pouco de loucura
de ser mais um zombie por aquj,
pois a minha vida é apenas «for the moment»
e todo o meu destino-1800
é navegar de cartola e bengala na mão de ferro
com castão lunar na gravidade destes sonhos.
Penso, penso em ti, como é o teu nome de cabelos?
Como procuras a tua morada sob as pontes
ou espreitas nas chaminés da grande fábrica
que se ergue no teu castelo de colina?
Mas danças, mas não ris, eu pelo meu lado
já vendi a minha alma a Belzebu,
e as crateras dos teus olhos são tão belas...
muito mais do que um olhar se espelha nelas,
os espectros que assim descem das estrelas
lá os vejo a bailar, a afeição
que um dia a mim também me deu a mão...

Alexandre Vargas
CYBORG
Livros Horizonte
1978

6 comentários:

avelaneiraflorida disse...

É engraçado!!!!!!

Enquanto estava a ler o poema, só me passavam imagens do "Blade Runner"....

Um tema inquietante...mas, por isso, não menos interessante!
Bjks, Papagueno!!

wind disse...

Desconheço o autor e acho o poema muito denso, forte.
Beijos

Um Momento... disse...

Não conheço o autor
Mas li-o intensamente nesse teu texto

Um beijo de noite boa (*)

Papoila disse...

beijos ... Boa Noite

Vou ler melhor amanhã
estou quase a dormir

Beijos
BF

Antonio Delgado disse...

Texto denso e com detalhes que captam a atenção.
Um abraço
António

Anônimo disse...

(...)"o povo
que não fala pelas ruas deambula,
com a boca entreaberta (...)

Mas vós, Cyborg, tão alto estais exposto
aos ventos que a vosso encontro se encaminham (...)

e estou na treva observando o teu fulgor, (...)
desta loucura agora todo eu me quero entranhar
até em parte alguma jamais de novo poder estar".

"É noite agora, o palácio adormecido onde de lado eu estaria
no estar sem espera,
(...)mas anoitece ainda a minha infância e sem correr,
eu, fantasma do que fui, procuro estar
na morte tão etérea de uma ave de metal. "

in Primeira Oração e Exílio
Sorrisos
Ana