quinta-feira, 7 de agosto de 2008

ESSE PUNHADO DE OSSOS

Sem Título, 1999
Gil Heitor Cortesão (1967)
Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão

A Moacyr Felix

Esse punhado de ossos que, na areia,
alveja e estala à luz do sol a pino
moveu-se outrora, esguio e bailarino,
como se move o sangue numa veia.
Moveu-se em vão, talvez, porque o destino
lhe foi hostil e, astuto, em sua teia
bebeu-lhe o vinho e devorou-lhe à ceia
o que havia de raro e de mais fino.
Foram damas tais ossos, foram reis,
e príncipes e bispos e donzelas,
mas de todos a morte apenas fez
a tábua rasa do asco e das mazelas.
E ai, na areia anônima, eles moram.
Ninguém os escuta. Os ossos choram.

Ivan Junqueira

4 comentários:

Arion disse...

É um descanso...

wind disse...

Pra mim é depressivo.
Beijos

Zé Povinho disse...

Uma visita lá para os lados da Praça de Espanha?
Abraço do Zé

Presença disse...

Adorei a minha descoberta de hoje... este anonimo ossos, que compoem, também, o meu espaço
.
.
.
sangue corre...

bjo e obrigada