sábado, 22 de dezembro de 2007

HOMENAGEM A JOSÉ RÉGIO


José Régio, pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira, é um escritor português, natural de Vila do Conde, e o seu nascimento data de 1901. Em Vila do Conde, terra onde viveu até acabar o quinto ano do liceu, publicou os seus primeiros poemas nos jornais, O Democrático e República. Aos dezoito anos, José Régio, foi para Coimbra, onde se licenciou em Filologia Românica (1925), com a tese As Correntes e As Individualidades na Moderna Poesia Portuguesa. Esta tese na época não teve muito sucesso, uma vez que valorizava poetas quase desconhecidos na altura, como Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro; mas, em 1941, foi publicada com o título Pequena História da Moderna Poesia Portuguesa.

Em 1927, com Branquinho da Fonseca e João Gaspar Simões, fundou a revista Presença, que veio a ser publicada, irregularmente, durante treze anos. Esta revista veio a marcar o segundo modernismo português, que teve como principal impulsionador e ideólogo, José Régio. Este, também escreveu em jornais como Seara Nova, Ler, O Comércio do Porto e o Diário de Notícias. Foi neste mesmo ano que José Régio começou a lecionar num liceu no Porto, até 1928, pois a partir desse ano, passou a lecionar em Portalegre, onde esteve mais do que trinta anos. Em 1966, Régio voltou para Vila do Conde, onde veio a morrer em 1969.

José Régio teve durante a sua vida uma participação activa na vida pública, mantendo-se fiel aos seus ideais socialistas, apesar do regime autoritário de então, e também, seguindo os gostos do irmão, Júlio Saul Dias, expressou o seu amor pelas artes plásticas, ilustrando um dos seus livros.

Como escritor, José Régio, dedicou-se ao ensaio, à poesia, ao texto dramático e à prosa. Reflectindo durante toda a sua obra problemas relactivos ao conflito entre Deus e o Homem, o indivíduo e a sociedade. Usando sempre um tom psicologista e misticista, analisando a problemática da solidão e das relações humanas, ao mesmo tempo que levava a cabo uma auto-análise.

José Régio é considerado um dos grandes vultos da moderna literatura portuguesa, e recebeu em 1966, o Prémio Diário de Notícias e, em 1970, o Prémio Nacional da Poesia. Hoje em dia, as suas casas em Vila do Conde e em Portalegre são casas-museu.

Tirado de Wikipedia

José Régio faleceu no dia 22 de Dezembro de 1969, exactamente dois dias antes de eu nascer.


Ventura Porfírio, Poeta de Deus e do Diabo, 1958
Óleo sobre tela, 138,5 x 108 cm
Câmara Municipal de Portalegre, Casa-Museu José Régio

Epitáfio para um poeta

As asas não lhe cabem no caixão!
A farpela de luto não condiz
Com seu ar grave, mas, enfim, feliz;
A gravata e o calçado também não.
Ponham-no fora e dispam-lhe a farpela!
Descalcem-lhe os sapatos de verniz!
Nao vêem que ele, nu, faz mais figura,
Como uma pedra, ou uma estrela?
Pois atirem-no assim à terra dura,
Ser-lhe-á conforto:
Deixem-no respirar ao menos morto!



Novo epitáfio para um poeta

Na terra nua, as asas desdobraram,
Espigaram,
Deram flor.
Se ali passar alguém
Que tenha o olfacto fino e o dom do humor,
Dirá que aquele morto é um amor:
Dá flor e cheira bem.

9 comentários:

wind disse...

Excelente post com o poema que escolheste e ainda bem que me lembraste:)
beijos

Flash disse...

Como é bom chegar aqui e ouvir a voz desta Deusa...

Bom Natal
Abraço

rato do campo disse...

Excelente homenagem a um grande poeta português! Muitas vezes o invoco, dizendo que, apesar de não saber por onde vou, aquela via estou certo de não querer tomar. Grande abraço!

Papoila disse...

DEpois de me deliciar com o Cântico Negro deixo-te um Beijo com Votos de Bom Natal.

jinhos
BF

Marreta disse...

Libertação

Menino doido, olhei em roda, e vi-me
Fechado e só na grande sala escura.
(Abrir a porta, além de ser um crime,
Era impossível para a minha altura...)

Como passar o tempo?...E diverti-me
Desta maneira trágica e segura:
Pegando em mim, rasguei-me, abri, parti-me,
Desfiz trapos, arames, serradura...

Ah, meu menino histérico e precoce!
Tu, sim! Que tens mãos trágicas de posse,
E tens a inquietação da Descoberta!

O menino, por fim, tombou cansado;
O seu boneco aí jaz esfarelado...
E eu acho, nem sei como, a porta aberta!

Saudações do Marreta.

avelaneiraflorida disse...

Amigo Papagueno,

O "Cântico Negro" atraiu-me naquela fase da adolescência em que dele fazemos um hino!!!!
Desde então Régio foi lido e relido smpre e de cada vez com novas descobertas!!!!
Boa Homenagem, esta!!!!
"Brigados"!!!
Bjkas, Amigo!!!

3vairado disse...

O humor só é possível pela inteligência!

Que belo dia para aniversário, Papagueno!

A. Jorge disse...

Foi com este "Cantico Negro" que em 5/03/2007 abri o meu modesto cantinho.

Que tenhas um Natal da maneira que mais desejas e um 2008 cheio de coisas boas e esperança num mundo melhor!

Abraço

Jorge

http://vagabundices.wordpress.com/

gasolina disse...

Mais um Grande, um Homem completo.
Mais uma escolha tua que recebo como um presente.

Obrigado.
Um beijo para ti.

PS.: E no dia cá estarei...