quinta-feira, 3 de julho de 2008

POETA CHIADO


CASAMENTO DE BEATRIZ VARELA COM CORIGO

Noivo - Sim.
Padrinho -…Está bem:
iguais estais nas vontades.
Dai cá as mãos, e dizei assim:
- Digo eu, Beatriz Varela,
que por meu marido e amigo
recebo a vós, João Corigo.
Tomai agora a mão dela,
e dizei, como eu disser:
- Digo eu, Lourenço Corigo,
que com vontade singela
recebo a vós, Beatriz Varela,
por mulher.
Comadre - Que fazeis? Deitai-lhe o trigo.
Quis Deus que fosseis casados.
Para que são mais trapaças?
Alçai as mãos, dai-lhe graças.
Filhos, sejais bem logrados!
Ela moça, e ele moço,
bem se foram ajuntar.
Por vós se pode cantar:
Deitem o noivo ao poço,
se com a noiva não brincar.

António Ribeiro (O Chiado)
«Auto das Regateiras», excerto
In: «Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica (dos Cancioneiros Medievais à Actualidade)», Selecção, prefácio e notas de NATÁLIA CORREIA

Todos os lisboetas já passaram pela sua estátua, mas será que alguém parou para se perguntar quem ele era?

António Ribeiro, conhecido por "O Chiado" ou "O Poeta Chiado" (Évora, 1520 (?) - Lisboa, 1591)

Foi um poeta jocoso e sátiro do século XVI, contemporâneo de Luís Vaz de Camões. Era conhecido como Chiado (o poeta) por ter morado muitos anos no Chiado, em Lisboa, na rua assim chamada já naquele século, que no século XIX mudaria para Rua Almeida Garrett, nome que conserva até hoje.

Fonte: Wikipedia

8 comentários:

O Guardião disse...

Bem recordado. Uma zona nobre da cidade onde se circula cada vez menos a pé e onde a pressa impede que se aprecie a cidade.
Cumps

wind disse...

Outro que eu desconheccia.
Que vergonha:(
Beijos

pinguim disse...

Uma referência a um livro importantìssimo na literatura portuguesa:a "Antologia da poesia erótico-satírica portuguesa" da nunca esquecida Natália Correia; a ler sempre...muitas vezes...
Abraço.

mada disse...

Pois é:olhamos sem ver! Quando lá passar vou prestar atenção.
Xi-coração

avelaneiraflorida disse...

Amigo Papagueno,

que bem sabe revisitar estes cantinhos da minha Lisboa!!!!!
Esta estátua que fica relegada, injustamente, para outro plano...já que bem perto se prefigura Camões e também se acomodou Fernando Pessoa!!!!
E quantos lisboetas conhecem o poeta????
"Brigados" por esta HOMENAGEM!!!!
Bjkas!

gasolina disse...

Muito bem recordado.
Da estátua e do seu pouso mato saudades amiude.
É sitio que cheira a história.

Um beijo, saudades de aqui voltar.

papagueno disse...

OGuardião: É mesmo uma zona nobre de Lisboa, ali mesmo ao lado estão as estátuas dos maiores escritores da língua portuguesa: Eça, Camões e Pessoa. Já para não falar que fica entre três teatros importantes da capital: O S. Carlos, S. Luís e o da Trindade.
Um abraço.

papagueno disse...

Wind: Não é vergonha nenhuma, quanta gente haverá que passa todos os dias por esta es´tátua e nem sequer ouviu falar do escritor?
Bjs

Pinguim: De leirtura obrigatória, diria mesmo.
Um abraço

Mada: Faz isso mesmo.
Um beijo

Avelaneira: Este poeta? Muito poucos ou quase nenhum.
Beijos

Gasolina: Bem-vinda, já estava com saudades.
Beijos