terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

BARCO NEGRO



De manhã, que medo, que me achasses feia!
Acordei, tremendo, deitada n'areia
Mas logo os teus olhos disseram que não,
E o sol penetrou no meu coração.

Vi depois, numa rocha, uma cruz,
E o teu barco negro dançava na luz
Vi teu braço acenando, entre as velas já soltas
Dizem as velhas da praia, que não voltas:

São loucas! São loucas!

Eu sei, meu amor,
Que nem chegaste a partir,
Pois tudo, em meu redor,
Me diz qu'estás sempre comigo.

No vento que lança areia nos vidros;
Na água que canta, no fogo mortiço;
No calor do leito, nos bancos vazios;
Dentro do meu peito, estás sempre comigo.

David Mourão-Ferreira
Visto aqui: Pequenos Nadas

4 comentários:

wind disse...

Um espectáulo!:)
Beijos

Anônimo disse...

Belos versos na voz imortal de Amália Rodrigues.
Jocas

avelaneiraflorida disse...

Não consigo gostar de nenhuma outra versão que não a de AMÀLIA!!!!
SUBLIME!!!!

Bjkas!

pinguim disse...

Animação muito curiosa para um dos fados mais poderosos de Amália; aconselho-te a ouvir a versão do Barco Negro, pelo Ney Matogrosso, que é comovente...
abraço.