sábado, 12 de abril de 2008

O LAGO DOS CISNES


Un cygne qui s'était évadé de sa cage,
Et, de ses pieds palmés frottant le pavé sec,
Sur le sol raboteux traînait son blanc plumage.
Près d'un ruisseau sans eau la bête ouvrant le bec

Baignait nerveusement ses ailes dans la poudre,
Et disait, le coeur plein de son beau lac natal:
"Eau, quand donc pleuvras-tu? quand tonneras-tu, foudre?"
Je vois ce malheureux, mythe étrange et fatal,

Vers le ciel quelquefois, comme l'homme d'Ovide,
Vers le ciel ironique et cruellement bleu,
Sur son cou convulsif tendant sa tête avide,
Comme s'il adressait des reproches à Dieu!

Baudelaire, excerto de "O Cisne"



A Beleza

Eu sou bela, ó mortais! como um sonho de pedra,
E meu seio, onde todos vem buscar a dor,
É feito para ao poeta inspirar esse amor
Mudo e eterno que no ermo da matéria medra.

No azul, qual uma esfinge, eu reino indecifrada;
Conjugo o alvor do cisne a um coração de neve;
Odeio o movimento e a linha que o descreve,
E nunca choro nem jamais sorrio a nada.

Os poetas, diante do meu gesto de eloquência,
Aos das estátuas mais altivas semelhantes,
Terminarão seus dias sob o pó da ciência;

Pois que disponho, para tais dóceis amantes,
De um puro espelho que idealiza a realidade.
O olhar, meu largo olhar de eterna claridade!

Baudelaire



A vida, manso lago azul algumas
Vezes, algumas vezes mar fremente,
Tem sido para nós constantemente
Um lago azul sem ondas, sem espumas,

Sobre ele, quando, desfazendo as brumas
Matinais, rompe um sol vermelho e quente,
Nós dois vagamos indolentemente,
Como dois cisnes de alvacentas plumas.

Um dia um cisne morrerá, por certo:
Quando chegar esse momento incerto,
No lago, onde talvez a água se tisne,

Que o cisne vivo, cheio de saudade,
Nunca mais cante, nem sozinho nade,
Nem nade nunca ao lado de outro cisne!

Júlio Salusse
Poeta brasileiro(1872-1948)



O cisne, quando sente ser chegada
A hora que põe termo a sua vida,
Música com voz alta e mui subida
Levanta pela praia inabitada.

Deseja ter a vida prolongada
Chorando do viver a despedida;
Com grande saudade da partida,
Celebra o triste fim desta jornada.

Assim, Senhora minha, quando via
O triste fim que davam meus amores,
Estando posto já no extremo fio,

Com mais suave canto e harmonia
Descantei pelos vossos desfavores
La vuestra falsa fé y el amor mio.

Luís Vaz de Camões

Fotos: Dirk Vermeirre

11 comentários:

pinguim disse...

Belìssimas fotos de um dos animais mais belos que há (para não falar das palvras, claro...)
Abraço.

avelaneiraflorida disse...

Amigo Papagueno!!!!
DESLUMBRANTE!!!!

a primeira vez que vi o bailado era menina mas não me esqueci nunca daquela interpretação da bailarina...que, aprendi mais tarde, se chamava Margot Fonteyn!!!!!
Que LEMBRANÇA LINDA!!!!
BRIGADOS pela partilha!!!
Bjkas!!!

Ludo Rex disse...

Brilhante post amigo e muito bom gosto. Um abraço e Bom Fim de Semana

Rato do Campo disse...

Que elegância, amigo Papagueno. Não só a arte das palavras como a beleza das fotos dos cisnes que tiveste a simpatia de partilhar connosco. Obrigado! Bom domingo!

tulipa disse...

OLÁ AMIGO

Venha colher uma tulipa do meu campo em flor.
Conheça o meu novo espaço.

Tem a certeza que não sabe quem sou?...Huuuummmmmm, não acredito.

PARABÉNS pelas excelentes imagens escolhidas!!!

Beijinhos.
Bom DOMINGO.

wind disse...

Fabuloso post!
Fiquei encantada com os poemas e as fotos! Parabéns pela sensibilidade:)
Beijos

Vap disse...

Magnífico! Parabéns!

confra-ria disse...

trés beau!Uma trilogia ;poemas;imagens;musica,comgrande harmonia.É sempre um prazer dar umas voltas pelo "Bairro do Amor..."

socrates dasilva disse...

O tema, as palavras, as fotografias...
Que he-ide dizer? Obrigado
Abraço

pin gente disse...

fechaste com chave de ouro


abraço

pin gente disse...

de negro vesti minha plumagem
pois a noite em seus braços me tomou
olhei a densa brancura que voou
e senti-me em cópia a sua imagem

a medo cheguei as minhas penas
pois de igual só não tinham a cor
meu corpo rodearam com calor
e sendo flores seriam açucenas

com eles pelas águas me levaram
numa dança que para mim alaram
deslizando sem fugir de mim

o dia foi raiando e a madrugada
mostrou bem nossa cor iluminada
e de negro continuei assim