sábado, 5 de abril de 2008

EPÍSTOLA PARA OS MEUS MEDOS

Sois: os sons roucos, a espera vã, uma perdida imagem.
O coração suspende o seu hálito e os lábios tremem
sinto-vos, vindes ao rés da terra, como ventos baixos,
poisais no peitoril. Sois muito antigos e jovens,
da infância em que por vós chorava encostada a um rosto.
Que saudade eu tenho, ó escuridão no poço,
ó rastejar de víboras nos caniços, ó vespa
que, como eu, degustaste o figo úbere.
Depois, mundo maior foi a presença e a ausência,
a alegria e as dores de outros que não eu.
E um dia, no alto da catedral de Gaudí,
chorei de horror da Queda, como os caídos anjos.

Fiama Hassa Pais Brandão
Fotografia: Papagueno

16 comentários:

tulipa disse...

Com alguns erros de percurso, sempre lutei por aquilo que julguei justo.

Desfaleci em alguns momentos, chorei de raiva por causa de injustiças, sofri por não me calar quando isso era mais fácil.

Sou feliz por ser quem sou, continuo a querer aquilo que acho que mereço.
Sei que ainda vou errar mais algumas vezes, mas procurarei corrigir o rumo, tentando ser como sou, em busca dum mundo melhor.

Beijo.

pinguim disse...

É tão raro ouvir-se falar desta magnifica poetisa; fizeste muito bem em suprir a lacuna.
Abraço.

wind disse...

Um poema "forte".
Beijos

ETÊS TUGAS ® disse...

Medos...Os fantasmas que nos assustam e nos impedem de viver. Só quando os enfrentamos se vestem de cores.

Moura ao Luar disse...

Vou-me deixando levar pelos braços das tuas palavras, poema irrequieto. Um beijo

avelaneiraflorida disse...

FOTO LINDA!!!!!! LINDA!!!! Amigo Papagueno!!!!!

Podemos ver mais???? Sim???????

e claro que só podia ser acompanhada por um poema à altura: Fiama!!!!!
Que lindo post!!!!
Bjkas!!!!

Maria disse...

Muito belas, imagem e palavras. O medo nunca, o medo tira-nos de nós, porque será que o encontramos em cada esquina, melhor ler beleza, melhor olhar e ver. Que não vale a pena temer, talvez os medos sejam ficção e no fundo, sempre luz.

Beijo.

3vairado disse...

Há uma coisa de que eu gosto, no medo: saber que sou eu quem o faz viver. - um demiurgo de medos, mas tb.o seu s. gabriel.

Cem medos?
Sem medo.

ANTONIO DELGADO disse...

Alguns filósofos dizem que é o medo que comanda a vida...será?

Um tema, muito interessante e tratado por uma poesisa que mão grado não é muito conhecida.

A foto é muito interessante.

Um abraço
António Delgado

pin gente disse...

tão forte como as grossas lágrimas carpidas pela boca

Marreta disse...

Algo sinistro, diria até que tem algo a ver com dragões.
Saudações do Marreta.

papagueno disse...

Meu caro Marreta, eu dragões, nem vê-los! Sou mais de lagartos.
Um abraço.

socrates dasilva disse...

Poema lindo, uma fotografia espectacular, uma referencia a Barcelona (Huau...)
Porque é que não vim aqui há mais tempo?
Abraço

Oz disse...

Barcelona, Gaudí, a vertigem da queda, os anjos caídos... Não me podia ter ido mais ao goto! :)
Abraços

Zé Povinho disse...

Anjos caídos e medo, com Gaudi pelo meio e uma bica de fonte muito bem apanhada. Fiama, já a encontrei num outro espaço ontem, numa abordagem diferente.
Abraço do Zé

Nortada disse...

Há alturas em que dizer qualquer coisa parece ridiculo...