domingo, 12 de outubro de 2008

A PUTA


Quero conhecer a puta.
A puta da cidade. A única.
A fornecedora.
Na rua de Baixo
Onde é proibido passar.
Onde o ar é vidro ardendo
E labaredas torram a língua
De quem disser: Eu quero
A puta
Quero a puta quero a puta.

Ela arreganha dentes largos
De longe. Na mata do cabelo
Se abre toda, chupante
Boca de mina amanteigada
Quente. A puta quente.

É preciso crescer esta noite inteira sem parar
De crescer e querer
A puta que não sabe
O gosto do desejo do menino
O gosto menino
Que nem o menino
Sabe, e quer saber, querendo a puta.

Carlos Drummond de Andrade

10 comentários:

wind disse...

Um dos mais conhecidos e emblemáticos poemas de CDA.
Beijos

Mandillo disse...

É lindo! E carinhoso.... sinceramente.

Miguel disse...

Não conhecia ...

Forte e apaixonante ...!

Um abraço da M&M & Cª!

Vap disse...

E viva à PUTA!

Gasolina disse...

Querer o que não se deve, crescer dentro de si mesmo.

Um beijo para ti.

PS: Já sei que andas atarefado por uma boa causa! Força! E Vontade de ferro!
Abraço

Flash disse...

Vai ao meu blog e apoia a minha candidatura!

www.aternurados40.blogspot.com

Obrigado!

Vieira Calado disse...

Não sabia que o poeta tinha escrito um poema a uma puta.
Obrigado.

Obscuramente disse...

Adicionei-te...

pin gente disse...

desconhecia o poema.
forte!

ematejoca disse...

Nao conhecia o poema. Já o li várias vezes, mas venho cá sempre para o tornar a ler.
Um dia levo-o...
O sapato é lindíssimo.
Este Papagueno tem muito bom gosto.