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domingo, 20 de julho de 2008

ESTRADA DE SINTRA


Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra,
Ao luar e ao sonho, na estrada deserta,
Sozinho guio, guio quase devagar, e um pouco
Me parece, ou me forço um pouco para que me pareça,
Que sigo por outra estrada, por outro sonho, por outro mundo,
Que sigo sem haver Lisboa deixada ou Sintra a que ir ter,
Que sigo, e que mais haverá em seguir senão não parar mas seguir?
Vou passar a noite a Sintra por não poder passá-la em Lisboa,
Mas, quando chegar a Sintra, terei pena de não ter ficado em Lisboa.
Sempre esta inquietação sem propósito, sem nexo, sem conseqüência,
Sempre, sempre, sempre,
Esta angústia excessiva do espírito por coisa nenhuma,
Na estrada de Sintra, ou na estrada do sonho, ou na estrada da vida...

Maieável aos meus movimentos subconscientes do volante,
Galga sob mim comigo o automóvel que me emprestaram.
Sorrio do símbolo, ao pensar nele, e ao virar à direita.
Em quantas coisas que me emprestaram eu sigo no mundo
Quantas coisas que me emprestaram guio como minhas!
Quanto me emprestaram, ai de mim!, eu próprio sou!

À esquerda o casebre — sim, o casebre — à beira da estrada
À direita o campo aberto, com a lua ao longe.
O automóvel, que parecia há pouco dar-me liberdade,
É agora uma coisa onde estou fechado
Que só posso conduzir se nele estiver fechado,
Que só domino se me incluir nele, se ele me incluir a mim.

À esquerda lá para trás o casebre modesto, mais que modesto.
A vida ali deve ser feliz, só porque não é a minha.
Se alguém me viu da janela do casebre, sonhará: Aquele é que é feliz.
Talvez à criança espreitando pelos vidros da janela do andar que está em cima
Fiquei (com o automóvel emprestado) como um sonho, uma fada real.
Talvez à rapariga que olhou, ouvindo o motor, pela janela da cozinha
No pavimento térreo,
Sou qualquer coisa do príncipe de todo o coração de rapariga,
E ela me olhará de esguelha, pelos vidros, até à curva em que me perdi.
Deixarei sonhos atrás de mim, ou é o automóvel que os deixa?

Eu, guiador do automóvel emprestado, ou o automóvel emprestado que eu guio?

Na estrada de Sintra ao luar, na tristeza, ante os campos e a noite,
Guiando o Chevrolet emprestado desconsoladamente,
Perco-me na estrada futura, sumo-me na distância que alcanço,
E, num desejo terrível, súbido, violento, inconcebível,
Acelero...
Mas o meu coração ficou no monte de pedras, de que me desviei ao vê-lo sem vê-lo,

À porta do casebre,
O meu coração vazio,
O meu coração insatisfeito,
O meu coração mais humano do que eu, mais exato que a vida.

Na estrada de Sintra, perto da meia-noite, ao luar, ao votante,
Na estrada de Sintra, que cansaço da própria imaginação,
Na estrada de Sintra, cada vez mais perto de Sintra,
Na estrada de Sintra, cada vez menos perto de mim...

Álvaro de Campos
Lido por aqui: Zé Povinho
Imagem: CMS

segunda-feira, 23 de julho de 2007

EM SINTRA


As águas maravilham-se entre os lábios
e a fala, rápidos
em Sintra espelhos surgem como pássaros,
a luz de que se erguem acontece às águas,
à flor da fala
divide os lábios e a ternura. Da linguagem
rebentam folhas duma cor incómoda, as de que
maravilhado de água surges entre
livros, algum crime, um
menino a dissolver-se ou dele os lábios e ergues
equívoca a luz depois. Rápidos
espelhos então cercam-te explodindo os pássaros.


Luís Miguel Nava
Películas (1979)
Poesia Completa
1979-1994
Dom Quixote
2002
Imagem: Papagueno

sexta-feira, 4 de maio de 2007

FILIPA DE LENCASTRE NO PALÁCIO DE SINTRA

A Esfera do Livros vai publicar um romance histórico baseado na figura de Filipa de Lencastre, intitulado “Filipa de Lencastre – A Rainha que Mudou Portugal”, da autoria da jornalista Isabel Stilwell.

Para assinalar o lançamento deste romance histórico, Isabel Stilwell propõe uma visita guiada ao Palácio Nacional de Sintra, no centro da Vila, no dia 4 de Maio, pelas 11h00.
A escolha recai no Palácio da Vila, por este ser um dos locais preferidos da Rainha Filipa de Lencastre, mulher de El-Rei D. João I. Ao casal deve-se a construção da cozinha do Palácio da Vila e das suas famosas chaminés geminadas, as quais constituem um dos mais famosos monumentos de Sintra.

D. Filipa nasceu em Inglaterra em 1359 e, aos 29 anos, casou com D. João I de Portugal. Foi mãe de 8 filhos, a chamada ínclita geração, príncipes cultos e respeitados em toda a Europa – que mudaria para sempre os destinos da nação. Infante D. Henrique (o Navegador), o Rei D. Duarte (poeta e escritor) e D. Fernando (o Infante Santo), são disso exemplo.

Mulher de uma fé inabalável, conhecida pela sua generosidade, empreendedora e determinada a mudar os usos e costumes de uma corte tão diferente da sua, D. Filipa de Portugal morreu vítima de peste negra, tal como a sua mãe, a 15 de Julho de 1415, aos 55 anos de idade.

Num romance baseado numa investigação histórica cuidada, Isabel Stilwell conta-nos a vida de uma das mais importantes rainhas de Portugal. Desde a sua infância em Inglaterra, onde conhecemos a corte do século XIV, à sua chegada de barco a Portugal, onde somos levados numa vertigem de sentimentos e afectos, aventuras e intrigas.

Isabel Stilwell é jornalista e directora da revista “Notícias Magazine”. Sempre se confessou apaixonada por romances históricos e, desta vez, atreveu-se a pesquisar a vida de Philippa of Lancaster, mais tarde Filipa de Portugal, e a passar a escrito a sua história.

Notícia tirada de: Sintravox
Mais informações: Esfera dos Livros