terça-feira, 4 de março de 2008

EU NASCI EM 1931 NO DECURSO DA LEITURA SILENCIOSA DE UM POEMA


"O que sentimos fisicamente com o sexo que temos, o que as imagens
vêm procurar em nós,
não é o sexo que praticamos,
é a vibração pelo vivo e pelo novo. Chamei-lhe fulgor porque
é assim que sinto"

"Onde Vais, Drama-Poesia?"
Relógio d' Água, 2000

Maria Gabriela Llansol (1931-2008)

domingo, 2 de março de 2008

CREIO NOS ANJOS QUE ANDAM PELO MUNDO



creio nos anjos que andam pelo mundo,
creio na deusa com olhos de diamantes,
creio em amores lunares com piano ao fundo,
creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes;

creio num engenho que falta mais fecundo
de harmonizar as partes dissonantes,
creio que tudo é eterno num segundo,
creio num céu futuro que houve dantes,

creio nos deuses de um astral mais puro,
na flor humilde que se encosta ao muro,
creio na carne que enfeitiça o além,

creio no incrível, nas coisas assombrosas,
na ocupação do mundo pelas rosas,
creio que o amor tem asas de ouro. amém.

Natália Correia



«All I see turns to brown, as the sun burns the ground
And my eyes fill with sand, as I scan this wasted land
Trying to find, trying to find where I've been.»


"Kashmir", Led Zeppelin
Fotos: Steve McCurry

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

HOJE APETECE-ME DANÇAR...



«Eu só queria dançar contigo
sem corpo visível
dançar como amigo
se fosse possível
dois pares de sapatos
levantando o pó
dançar como amigo só»


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

ESTE CÉU PASSARÁ


Este céu passará e então
teu riso descerá dos montes pelos rios
até desaguar no nosso coração

Ruy Belo
Foto: Papagueno

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

AS HORAS EXTRAORDINÁRIAS


Foi a saudade do teu braço
e o olhar que já da luz me dói
trabalhei sem dar p´lo cansaço
horas extraordinárias, foi
um dia que passou num furacão
um furacão que se amainou, só
quando, aparte o amor
eu me vi só
atirando amoeda ao ar
diz-me que cara ou coroa
eu vou ganhar
diz-me quanto eu fiz bem
em me apostar
e que bem fiz em ter por necessárias
as horas extraordinárias

E assim que volto ao meu lugar
reencontro com dor e com prazer
o coração que fiz falar
à máquina de escrever, a ver
ela a dar corda à máquina de amar
e um coração a se amainar, só
quando aparte o amor
eu me vi só
atirando amoeda ao ar
diz-me que cara ou coroa
eu vou ganhar
diz-me quanto eu fiz bem
em me apostar
e que bem fiz em ter por necessárias
as horas extraordinárias

Sérgio Godinho
Imagem: Salvador Dali

BARCO NEGRO



De manhã, que medo, que me achasses feia!
Acordei, tremendo, deitada n'areia
Mas logo os teus olhos disseram que não,
E o sol penetrou no meu coração.

Vi depois, numa rocha, uma cruz,
E o teu barco negro dançava na luz
Vi teu braço acenando, entre as velas já soltas
Dizem as velhas da praia, que não voltas:

São loucas! São loucas!

Eu sei, meu amor,
Que nem chegaste a partir,
Pois tudo, em meu redor,
Me diz qu'estás sempre comigo.

No vento que lança areia nos vidros;
Na água que canta, no fogo mortiço;
No calor do leito, nos bancos vazios;
Dentro do meu peito, estás sempre comigo.

David Mourão-Ferreira
Visto aqui: Pequenos Nadas

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

A PIADA DA NOITE


Ainda a prpósito dos Óscares aqui fica a piada da noite:
"Normally when you see a black man or a woman president, an asteroid is about to hit the Statue of Liberty,” Jon Stewart

AND THE WINNER IS.......ME!


Algumas horas antes de começar a noite de glória destes senhores fui eu o galardoado com mais umprémio blogosférico.

Chamado ao palco, gostaria em primeiro lugar agradecer à juri especial por me ter incluído na sua honrosa lista.
Queria também agradecer a todos os que me visitam e comentam pois sem vocês nada disto faria sentido. Por fim os meus agradecimentos aos meus amigos, primos, tios, colegas e apenas conhecidos.
E um agradecimento muito especial (agora vem a parte sentimental da praxe)aos meus pais pois sem eles estes eu nuncateria existido e por consequência este blogue também não.

Nunca gosto de passar este tipo de prémios porque sinto sempre que cometo injustiças ao excluir alguém. Este prémio é para todos os que por aqui passam.
OBRIGADO, PORRA!

domingo, 24 de fevereiro de 2008

PARAÍSOS

Paraíso

Deixa ficar comigo a madrugada,
para que a luz do Sol me não constranja.
Numa taça de sombra estilhaçada,
deita sumo de lua e de laranja.

Arranja uma pianola, um disco, um posto,
onde eu ouça o estertor de uma gaivota...
Crepite, em derredor, o mar de Agosto...
E o outro cheiro, o teu, à minha volta!

Depois, podes partir. Só te aconselho
que acendas, para tudo ser perfeito,
à cabeceira a luz do teu joelho,
entre os lençóis o lume do teu peito...

Podes partir. De nada mais preciso
para a minha ilusão do Paraíso.


A Secreta Viagem

No barco sem ninguém, anónimo e vazio,
ficámos nós os dois, parados, de mão dada…
Como podem só dois governar um navio?
Melhor é desistir e não fazermos nada!

Sem um gesto sequer, de súbito esculpidos,
Tornamo-nos reais, e de Madeira, à proa…
Que figures de lenda! Olhos vagos, perdidos…
Por entre nossas mãos, o verde mar se escoa…

Aparentes senhores de um barco abandonado,
nós olhamos, sem ver, a longínqua miragem…
Aonde iremos ter? – Com frutos e pecado,
Se justifica, enflora, a secreta viagem!

Agora sei que és tu quem me fora indicada.
O resto passa, passa…alheio aos meus sentidos.
- Desfeitos num rochedo ou salvos na enseada,
A eternidade é nossa, em Madeira esculpidos!

Rangia entre nós dois a música da areia

Rangia entre nós dois a música da areia
como se fosse Agosto a dedilhar um sistro
Agora está fechada a casa onde te amei
onde à noite uma vez devagar te despiste

Floresça o clavicórdio em pleno mês de Outubro
Na harpa de Setembro entrelaçou-se a vinha
A que vem de repente entre os dois este muro
feito de solidão de sal de marés vivas

Podia conjurar-te a que não me esquecesses
mas é longe do Mar que os navios são tristes
De que serve o convés com a sombra das redes

Quis a tua nudez Não quis que te despisses

Paisagem

Desejei-te pinheiro à beira-mar
para fixar o teu perfil exacto.

Desejei-te encerrada num retrato
para poder-te comtemplar.

Desejei que tu fosses sombra e folhas
no limite sereno desta praia.

E desejei:

Mas frágil e humano grão de areia
não me detive à tua sombra esguia.

(Insatisfeito, um corpo rodopia
na solidão que te rodeia.)


Inscrição sobre as ondas

Mal fora iniciada a secreta viagem,
Um deus me segredou que eu não iria só.

Por isso a cada vulto os sentidos reagem,
Supondo ser a luz que o deus me segredou.

Poemas: David Mourão-Ferreira
Fotografia: National Geographic

sábado, 23 de fevereiro de 2008

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

A FEIRA DOS IMORTAIS


«A imortalidade é uma forma de ditadura da vida sobre a morte. Sendo ditador e vivo, só me resta tornar-me imortal. E hei-de sê-lo!
Nem que morra para isso!»

J.F Choublanc (Escritos diversos), Paris 2023
Imagem: Enki Bilal

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

A MÚSICA ACALMA AS FERAS...



...Ou desperta nelas um resto de humanidade?

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

RECORDAR GEDEÃO



A um ti que eu inventei

Pensar em ti é coisa delicada.
É um diluir de tinta espessa e farta
e o passá-la em finíssima aguada
com um pincel de marta.

Um pesar grãos de nada em mínima balança,
um armar de arames cauteloso e atento,
um proteger a chama contra o vento,
pentear cabelinhos de criança.

Um desembaraçar de linhas de costura,
um correr sobre lã que ninguém saiba e oiça,
um planar de gaivota como um lábio a sorrir.

Penso em ti com tamanha ternura
como se fosses vidro ou película de loiça
que apenas com o pensar te pudesses partir.



Todo o tempo é de poesia

Desde a névoa da manhã
à névoa do outro dia.
Desde a quentura do ventre
à frigidez da agonia

Todo o tempo é de poesia

Entre bombas que deflagram.
Corolas que se desdobram.
Corpos que em sangue soçobram.
Vidas qu'a amar se consagram.

Sob a cúpula sombria
das mãos que pedem vingança.
Sob o arco da aliança
da celeste alegoria.

Todo o tempo é de poesia.

Desde a arrumação ao caos
à confusão da harmonia.

António Gedeão
Fotos: Pascal Renoux

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

O MUNDO COMPLETO


Estes gestos de vento,
estas palavras duras como a noite,
estes silêncios falsos,
estes olhares de raiva a apertarem as mãos,
estas sombras de ódio a morderem os lábios,
estes corpos marcados pelas unhas!. . .

Esta ternura inventando desejos na distância,
esta lembrança a projectar caminhos,
este cansaço a retratar as horas!...

Amamo-nos. Sem lírios
sobre os braços,
sem riachos na voz,
sem miragens nos olhos.

Amamo-nos no arame farpado,
no fumo dos cigarros,
na luz dos candeeiros públicos.

O nosso amor anda pela rua
misturado ao buzinar dos carros,
ao relento e à chuva.

O nosso amor é que brilha na noite
quando as estrelas morrem no céu dos aviões.

António Rebordão Navarro
Imagem: Piotr Kowalik

domingo, 17 de fevereiro de 2008

LA MALA EDUCACIÓN

A Vampira, coveira da educação em Portugal.



O governo parece apostado em acabar com o ensino artístico público em Portugal?
Mais valia acabar de vez com o conservatório e entregar o negócio a algum empresário amiguinho do PS.
Se queres uma boa educação músical, pagas e bem!

Ex.º Senhor
Presidente da República Portuguesa
Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva

Ex.º Senhor
Primeiro-Ministro de Portugal
Engenheiro José Sócrates


Nós, abaixo assinados, vimos, por este meio, sensibilizar Vs. Exs., enquanto representantes máximos de Portugal, para travarem, dentro do estrito respeito pela Vossas superiores competências, a pretensão do Ministério da Educação de alterar o Sistema Educativo Português, no que à Educação Artística diz respeito, nomeadamente ao Ensino Artístico Especializado, pelo facto de se basearem no relatório final de Estudo de Avaliação do Ensino Artístico, que carece, por falta de rigor metodológico, de validada científica, seja por não englobar, na equipa que o elaborou nenhum artista ou professor de qualquer arte, nem ter realizado o trabalho de campo que se exigia como fundamento junto das cerca de 100 Escolas de Ensino Especializado de música, dança e teatro, públicas e privadas, reconhecidas e financiadas pelo próprio Ministério da Educação.

Cliquem aqui para ler mais e assinar a petição:

http://www.petitiononline.com/prpm/petition.html

Imagem: We have kaos in the garden

sábado, 16 de fevereiro de 2008

AS MÚSICAS QUE ME FIZERAM ABANAR

A GI passou-me este desafio músical, mesmo à minha medida, que consiste em recordar 6 músicas que na minha juventude me tenham feito dançar.

Ora na minha juventude uma das primeiras músicas que me fez mexer foi esta:

"Up Around the Bend" dos Credence.

Mais tarde na adolescência o que me fazia mexer mesmo eram bandas como AC/DC, Motörhead, Slayer, Kreator e Cia. Representando a fase hard-rock/heavy metal escolhi estas pérolas:

"Back in Black" dos AC/DC

Deep Purple

Dividido entre o metal, o punk e o rock mais alternativo, que na altura se chamava de "vanguarda", tinha que recordar uma das grandes bandas da minha juventude:


Joy Division "Atmosphere"

Na música portuguesa muitos me fizeram dançar: Desde os "Táxi" aos UHF dos primeiros tempos, passando pela, que para mim, foi a melhor banda portuguesa dos anos 80:

Desculpem, não foram os Xutos...
Podiam até ter sido os Peste & Sida ou os Sétima Legião, mas foram os Rádio Macau da Xana e do Flak.

E finalmente como não podia deixar de ser, a maior banda de rock de todos os tempos:

LED ZEPPELIN, "HOUSES OF THE HOLY"

Nâo percebi bem a quantas pessoas era suposto passar o desafio, vou escolher cinco:

O Marreta

Avelaneira Florida

Miguel

Zé Povinho

Ludovicus Rex

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

PRENDA DE S. VALENTIM

Não gosto muito destas datas. Aqui no Bairro, o Amor é para ser celebrado todos os dias.

Esta noite sonhei oferecer-te o anel de Saturno
e quase ia morrendo com o receio de que ele não
te coubesse no dedo

Jorge de Sousa Braga

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

LITTLE MATCH GIRL



O conto de Andersen pelo Royal Danish Ballet com a maravilhosa música dos Sigur Rós.

THE WILD ROVER


I've been a wild rover for many's the year
I've spent all me money on whiskey and beer
But now I'm returning with gold in great store
And I never will play the wild rover no more

And it's No, Nay, never,
No, nay never no more
Will I play the wild rover,
No never no more

I went in to an alehouse I used to frequent
And I told the landlady me money was spent
I asked her for credit, she answered me nay
Such a customer as you I can have any day

And it's No, Nay, never,
No, nay never no more
Will I play the wild rover,
No never no more

I took up from my pocket, ten sovereigns bright
And the landlady's eyes opened wide with delight
She says "I have whiskeys and wines of the best
And the words that you told me were only in jest"

And it's No, Nay, never,
No, nay never no more
Will I play the wild rover,
No never no more

I'll go home to my parents, confess what I've done
And I'll ask them to pardon their prodigal son
And, when they've caressed me as oft times before
I never will play the wild rover no more

And it's No, Nay, never,
No, nay never no more
Will I play the wild rover,
No never no more

Canção tradicional irlandesa

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

ARREPIANTE!


O bodyboarder Jaime Jesus enfrenta uma onda assustadora durante uma competição na Nazaré.

Esta fotografia tirada por Miguel Barreira do jornal "Record", conquistou o 3º lugar na categoria de desporto da edição do World Press Photo deste ano.