terça-feira, 25 de agosto de 2009

O TELESCÓPIO DE GALILEU

Galileu Galilei; Justus Sustermans (1636)

Foi há 400 anos que Galileu abriu uma janela para o Universo. No dia 25 de Agosto de 1609 Galileu Galilei apresentou ao Senado de Veneza a sua nova invenção, o telescópio. Agora o homem podia observar para além das estrelas. Obcecado pela perfeição, não tardou a aperfeiçoar as lentes, a 7 de janeiro de 1610 avistou pela primeira vez 4 das 16 luas de Júpiter: Calisto, Europa, Ganímedes e Io.
Heliocentrismo

Foi também graças ao telescópio que Galileu veio apoiar a teoria heliocêntrica, defendida quase um século antes por Nicolau Copérnico. Galileu, tal como o astrónomo e matemático polaco, acreditava que a Terra e os restantes planetas do sistema solar giravam em torno do Sol. Isto ia contra a doutrina geocêntrica de Aristóteles e Ptolomeu, que estabelecia a Terra como o centro do Universo, tendo o Sol e os restantes corpos celestes a girar à sua volta.

Galileu Enfrenta a Inquisição; Cristiano Banti (1857)


Estas ideias foram consideras heréticas, subversivas e perigosas, pois iam contra a doutrina estabelecida pela igreja. Perseguido pela inquisição, foi julgado pelo Santo Ofício e proíbido de divulgar as suas teorias. Obrigado a renegar aquilo em que acreditava, conseguiu evitar uma pena dura; Galileu viveu num sistema de prisão domiciliária até ao fim dos seus dias. À saída do julgamento terá proferido as palavras que ficaram para a história:

"Eppur si muove" - "No entanto ela move-se"

Da junção das palavras gregas "tele" (ver) e "scopio" (longe), o telescópio foi o objecto que permitiu ao homem mudar a maneira de ver o seu próprio mundo.

Por fim tenho que lembrar Rómulo de Carvalho; o homem de ciência encarnado em corpo de poeta:

Eu queria agradecer-te, Galileu,
a inteligência das coisas que me deste.
Eu,
e quantos milhões de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar - que disparate, Galileu!
- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça
sem a menor hesitação -
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.

Pois não é evidente, Galileu?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?
Esta era a inteligência que Deus nos deu.

António Gedeão
Excerto de "Poema para Galileu"

domingo, 23 de agosto de 2009

PHIL LYNOTT

He’s just a boy that his lost his way
He’s a rebel that has fallen down
He’s a fool been blown away
To you and me he’s a renegade

He’s a clown that we put down
He’s a man that doesn’t fit
He’s a king but not in this town
To you and me he’s a renegade

But he is a king when he’s on his own
He’s got a bike and that’s his throne
And when he rides he’s like the wind
To you and me he’s a renegade

He’s just a boy who has lost his sights
He’s a stranger, prowls the night
He’s a devil, that’s right
To you and me he’s a renegade

Check it out, check his face
Look at his eyes, they’re so sly
I wonder why he cries from the inside
I wonder why he’s a renegade

Oh please, I’m on my begged bended knees
Oh please, please heed my call
He’s just a boy that has lost his way
He’s just a boy, that’s all
Phill Lynott, Snowy White.

Se fosse vivo, Phill Lynott faria 60 anos no passado dia 20 de Agosto. Foi líder dos Thin Lizzy, uma das grandes bandas de rock dos anos 70 e 80. Além do fabuloso "Live and Dangerous" (1978), destaco na discografia dos Lizzy este "Renegade" de 1981.

Em 1979, Lynott foi fotografado em Lisboa por Ross Halfin; eis as imagens com um cheirinho a PREC:

"Phil Lynott was one of the coolest people you could ever meet"
Ross Halfin

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A MORTE DA VIRGEM

Michelangelo Merisi da Caravaggio
A Morte da Virgem (1606)

Ela é a virgem,
embora tenha conhecido muitos homens
e os seus filhos peregrinem pelo mundo
com lágrimas nos olhos
por não terem mãe.

Já cadáver, encontrei-a no Tibre,
e trouxe-a para aqui para a pintar,
sabendo que os frades não me irão
indultar a ousadia
– hão-de dizer que a tela é indecorosa
e que no meu trabalho nunca largo
o escândalo que me é próprio,
sempre tocado pela lascívia.

Na bacia de cobre está um preparado
com vinagre
para lavar o corpo da defunta,
sendo que aos pés da morta
é Maria Madalena que se vê,
com a cabeça caída
sobre o peito
por ser fundo o desgosto
de ver a amiga morta
– tinham chegado a Roma
há muito tempo
e conheciam-se
de pequenas aventuras nas tavernas,
sendo que às vezes partilhavam a cama
e os clientes,
ou, sendo caso disso, uma manta
no Inverno,
ou algum pão,
escasso,
o mais das vezes.

No centro da pintura estão três apóstolos.
A razão por que um deles está estupefacto
e ergue a mão direita
tem a ver, somente, com o drama
de a morte ser injusta,
usurpe alguém divino,
ou um miserável que não tenha
onde cair morto.

Mateus,
de todos os apóstolos o mais sábio,
porque estudou nos livros e na vida,
sabe que não há bálsamo eficaz
para quem parte,
por muito que tenha já sofrido;
por isso, o represento assim,
inconformado,
com uma mão aberta, e outra fechada:

a vida é tudo o que nos resta
estando vivos – o que vem a seguir
nunca se sabe que dimensões comporta,
mesmo que haja luz no outro lado
e a promessa de bondade seja cumprida.

Ao lado de Mateus, pintei Tiago,
que presume que a mulher não faleceu,
mas só se encontra adormecida
– se deu à luz, um dia,
e os seus filhos estão aí a comprová-lo,
ainda que dispersos pelo mundo,
é porque o transe da morte ultrapassou,
e dorme, apenas, para que conheça a eternidade
e influencie o céu
com a sua doçura perene de mulher.

O outro é Lucas,
que, a olhar em frente,
está a tentar compreender o que é um corpo,
essa engrenagem obscura,
que, sem álibis,
nos reflecte os métodos de Deus
– que dá, a cada um, um modo de sorrir e de chorar,
um modo de sofrer e de amar,
um modo de nascer e de morrer.

Atrás dos três apóstolos,
está disposto o mundo
– é gente que encontrei pelos mercados
e, em silêncio, dá testemunho
de que há na terra um tempo
em que se deve duvidar do que é certo,
sendo que certa há-de estar sempre a morte,
mas, também, o trabalho que aguarda
pelas nossas mãos,
na oficina,
nos campos
ou em casa.

Um é curtidor de peles,
outro negoceia cereais e vinhos,
outro faz cestos, e vende-os pelas praças,
outro é talhante,
um outro é ferrador e é barbeiro,
outro é astrónomo,
outro copista,
outro é soldado,
e outro pede esmola nas vielas,
a gritar a quem passa por piedade.

O mundo, pois.
Onde esteja a morte
é bom que um pintor figure o mundo,
para que no jogo de sombras fique incluso
esse jogo mais duro do confronto
com a realidade,
onde o próprio veludo tem cores cruas.

É isto que os frades me não perdoam
– o meu desassombramento perante o mundo,
a concisão patente no que faço,
chamando-lhe indecência
e insinuando que vesti de vermelho esta mulher
por gozo pessoal e por volúpia.

Não é verdade.
Antes de mais, porque a encontrei assim.
Depois, porque pensei que numa mulher não há pecado,
seja ela quem for e de onde venha.
Por último, porque tratando-se da virgem,
só mesmo o sangue a pode vestir,
o sangue espesso e forte,
de modo que quem olhar esta pintura
saiba o que vê, imediatamente:

uma mãe
que o sofrimento jamais abandonou,
em tudo o que viveu
– os perigos que há ao dar à luz,
a fuga para o Egipto,
a ameaça concreta no Sinédrio,
a árdua resistência necessária
para perscrutar em qualquer cruz
a iniquidade que o destino alcança.

Inchado,
maculado,
desfigurado
tem o seu rosto esta mulher morta,
adormecida.

E eu sou Caravaggio,
que luto, denodadamente, com a arte
para que a tragédia,
sagrada ou profana,
se represente igual à sua gravidade,
cantem, ou não, os anjos as hossanas,
goste-se, ou não se goste, do que faço.

A vida é turbulência
– e é assim que chega às minhas telas,

e é assim que o que pinto,
entre claros e escuros,
me proclama.

Amadeu Baptista
"Poemas de Caravaggio".

Originalmente encomendada para a Igreja de Santa Maria della Scala em Travestere; "A Morte da Virgem" acabaria por ser recusada quando se soube que o famoso pintor teria usado como modelo da mãe de Cristo uma prostituta morta encontrada a flutuar no Rio Tibre.

sábado, 15 de agosto de 2009

WOODSTOCK, 40 ANOS


Woodstock 40 anos, ao som de Canned Heat

Há 40 anos ainda havia quem acreditasse que era possível mudar o mundo. Hoje é essa geração que está no poder...

Woodstock foi há 40 anos. Nos muitos festivais que há hoje seria possível repetir este espírito de música amor e liberdade? Seria possível ir ao Sudoeste e ver jovens a dançar nus ao som da sua banda favorita?

Jimi Hendrix, simplesmente fabuloso.

sábado, 8 de agosto de 2009