domingo, 31 de agosto de 2008

QUERIA TER O SOL SÓ PARA MIM


Queria ter o sol só para mim. Tê-lo de forma a dele poder de vez em quando ceder parte apenas a um dos meus mais íntimos amigos.

Luís Miguel Nava

sábado, 30 de agosto de 2008

MORCEGOS NA WEB

Morcego-de-Peluche, Miniopterus schreibersii

Esta postagem, à semelhança de outras anteriores, tem como principais objectivos divulgar e acabar com alguns preconceitos contra certos animais.

As lendas do Conde Drácula e o facto de haver algumas espécies que se alimentam do sangue de outros mamíferos, contribuíram para alimentar a má fama dos morcegos.
O certo é que, além de ajudarem na polinização de muitas espécies vegetais, os morcegos são muito úteis no controlo de certas pragas de insectos, evitando muitas vezes o uso de insecticidas químicos sempre nefastos ao ambiente.


Morcego-de-ferradura-mourisco, Rhinolophus mehelyi

«No mundo existem mais de 1000 espécies de morcegos e, em Portugal Continental, existem 24 espécies, que representam 40 por cento da fauna de mamíferos terrestres do país.Nove das espécies existentes em Portugal são classificadas como criticamente em perigo, em perigo, ou como vulneráveis no Livro Vermelho dos Vertebrados de Portugal (2005).»

Morcegos na Web

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

PRÉMIO DARDOS


Recebi este prémio do amigo Miguel, do Blogue A Minha Matilde e Cia. O Prémio Dardos pretende homenagear a criatividade, a inteligência e a cultura na blogosfera. .
Um grande obrigado para ti Miguel por te lembrares de mim.

A tradição obrigava-me a passar este prémio a mais 13 nomeados. Desculpa Miguel, mas como de costume, deixo-o por aqui para quem o quiser levar.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

WALL-E



Um planeta árido, humanos balofos dependentes das máquinas que fazem tudo por eles.
Realidade ou ficção?

No meio disto tudo uma delíciosa história de amor entre dois robots.

Site Oficial: Wall-E

terça-feira, 26 de agosto de 2008

ADEUS CEGONHA


Adeus Cegonha nos vinte anos da morte de Carlos Paião

Olá cegonha, gosto de ti!
Há quanto tempo, te não via por ai!
Nem teus ninhos nos telhados,
Nem as asas pelo ceu!
Olá cegonha! que aconteceu?

Ainda me lembro de ouvir-te dizer,
Que tu de longe os bebes vinhas trazer!
Mas os homens vao crescendo,
E as cegonhas a morrer!
Ainda me lembro...nao pode ser!

Adeus cegonha, tu vais voar!
E a gente sonha...é bom sonhar!
No teu destino, por nos traçado!
Leva o menino, que é pequenino, toma cuidado!

Adeus cegonha, adeus lembranças...
A gente sonha, como crianças!
Faz outro ninho, no som dos ceus!
Vai de mansinho, mas pelo caminho, diz-nos adeus!

Adeus cegonha, tu vais voar!
E a gente sonha... é bom sonhar!
No teu destino, por nós traçado...
Leva o menino que é pequenino,toma cuidado!
Leva o menino... mas tem cuidado!

Carlos Paião
Foto: Olhares

domingo, 24 de agosto de 2008

AINDA BRESSON

Como prometi ao Pinguim aqui está um belo casal de namorados fotografado por Bresson.

OS MORALISTAS DO COSTUME

Aqui no Bairro é tudo ao natural, a arte não é censurada. Por cá não há qualquer pudor em mostrar maminhas e pilinhas por isso eis o famoso quadro de Tiepolo que o púdico hipócrita do Sr. Berlusconi substituiu por uma réplica com o seio tapado.
Segundo o dito senhor, aquela maminha à mostra desviava as atenções na sala de conferências.



A Verdade desvendada pelo Tempo
Giambattista Tiepolo
(1696-1770)

Neste quadro a Verdade aparece com um espelho na mão, que reflete a sua nudez, forçando a Mentira, ao seu lado, a fechar os olhos. A partir desta história tirem as vossas conclusões.


Infelizmente não consegui encontrar as estátuas de Caim e Abel expostas na pequena cidade italiana de Ortesi, que costumam ser retiradas da rua por alturas da procissão anual da localidade. Parece que as figuras dos dois irmãos desavindos possuem uns genitais um nadinha exagerados que perturbam o recato da cerimónia.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

CARTIER-BRESSON, UM SÉCULO DE FOTOGRAFIAS




O mestre com a sua Leica, a máquina de sempre.

Mais fotos de Cartier-Bresson no Imaginens

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

UMA PRIMAVERA QUE NUNCA CHEGOU AO VERÃO


Há quarenta anos os tanques soviéticos calavam o grito de liberdade de um povo.


Faz hoje precisamente 40 anos que os tanques da União Soviética esmagaram os ventos de mudança da Primavera de Praga, liderada por intelectuais reformistas do Partido Comunista da Checoslováquia, onde se destacou Alexander Dubcek.
Foram oito meses de uma brisa liberal, apoiada pela população, um período de abertura e esperança para todos os checos.

A nova direcção do Partido Comunista da Checoslováquia, chefiada por Alexander Dubcek, tornou pública uma série de reformas democráticas que alargavam as liberdades políticas e sociais no país.

Nesta altura foi também determinada a federalização da Checoslováquia em duas repúblicas distintas. Essa, aliás, foi a única reforma da Primavera de Praga que sobreviveu.

O objectivo de Alexander Dubcek era remover todos os vestígios de despotismo, que considerava uma aberração do sistema socialista imposto ao país pela URSS, após a Segunda Guerra Mundial (1941-1945).

Perante as mudanças, a Rússia enviou tanques e tropas de países do Pacto de Varsóvia para acabar com essa ameaça à hegemonia política da União Soviética.

Na noite de 20 para 21 de Agosto de 1968 sete mil tanques entraram na Checoslováquia. O exército desmobilizou por ordem do poder, mas o povo continuou a lutar.

O primeiro-ministro Ducchek foi preso, assim como outros dirigentes checos. No conflito morreram 72 checoslovacos.

Texto: TSF
Fotos: Josef Koudelka

terça-feira, 19 de agosto de 2008

HOMENAGEM A LORCA


La Carmen está bailando
por las calles de Sevilla.
Tiene blancos los cabellos
y brillantes las pupilas.

¡Niñas,
corred las cortinas!

En su cabeza se enrosca
una serpiente amarilla,
y va soñando en el baile
con galanes de otros días.

¡Niñas,
corred las cortinas!

Las calles están desiertas
y en los fondos se adivinan,
corazones andaluces
buscando viejas espinas.

¡Niñas,
corred las cortinas!

Federico Garcia Lorca



Para os nacionalistas espanhóis o grande poeta e dramaturgo espanhol era "mais poderoso com a caneta que muitos com o revólver". A famosa frase teria sido proferida pelo mesmo deputado católico que denunciou a presença do escritor em Granada onde irónicamente procurara refúgio.

Por ser uma voz incómoda para os nacionalistas, Lorca foi preso e cruelmente executado no dia 19 de agosto de 1936, sendo uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola. Posteriormente, um dos seus carrascos veio gabar-se de ter disparado duas balas no ânus do poeta por este ser homossexual.


El río Guadalquivir
va entre naranjos y olivos.
Los dos ríos de Granada
Bajan de la nieve al trigo.

¡Ay, amor
que se fue y no vino!
El río Guadalquivir
Tiene las barbas granates,
los dos ríos de Granada
uno llanto y otro sangre

Federico Garcia Lorca

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

HERE'S TO YOU, RONNIE DREW



Foi através dos Pogues que eu e muitos da minha geração tiveram o primeiro contacto com a música irlandesa em geral e com os Dubliners em particular.

Em 1962, quando formou o seu The Ronnie Drew Group (futuros Dubliners), o músico e compositor irlandês, mal sonhava que se iriam tornar numa das mais populares bandas irlandesas de sempre.

Já há algum tempo que se sabia que o grande trovador padecia de cancro. Ronnie faleceu no passado dia 16 de Agosto, a um mês de completar os seus 74 anos.

Já sinto saudades daquelas barbas brancas e do que eu pulei ao som de Drew e dos Dubliners numa distante Festa do Avante no início dos anos 90.

O 16 de Agosto de 2008, fica como o triste dia em que desapareceram duas das maiores lendas da música popular.

A PRATA FOI OURO


PARABÉNS VANESSA!

domingo, 17 de agosto de 2008

É DOCE MORRER NO MAR


É doce morrer no mar,
Nas ondas verdes do mar

A noite que ele não veio foi,
Foi de tristeza pra mim
Saveiro voltou sozinho
Triste noite foi pra mim

É doce morrer no mar,
Nas ondas verdes do mar

Saveiro partiu de noite, foi
Madrugada não voltou
O marinheiro bonito
Sereia do mar levou.

É doce morrer no mar,
Nas ondas verdes do mar

Nas ondas verdes do mar, meu bem
Ele se foi afogar
Fez sua cama de noivo
No colo de Iemanjá

Dorival Caymmi (1914-2008)

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

A D. JOÃO I, O DE BOA MEMÓRIA


14 de Agosto de Agosto de 1385, o exército português Comandado por D. João I e pelo Condestável D. Nuno Álvares Pereira, defronta as tropas de Juan I de Castela naquela que viria a ser conhecida como a batalha de Aljubarrota.

«Estavam pelos muros, temerosas,
E de um alegre medo quase frias,
Rezando as mães, irmãs, damas e esposas,
Prometendo jejuns e romarias.
Já chegam as esquadras belicosas
Defronte das amigas companhias,
Que com grita grandíssima os recebem,
E todas grande dúvida concebem

Respondem as trombetas mensageiras,
Pífaros sibilantes e atambores;
Alférezes volteam as bandeiras,
Que variadas são de muitas cores.
Era no seco tempo, que nas eiras
Ceres o fruto deixa aos lavradores,
Entra em Astreia o Sol, no mês de Agosto,
Baco das uvas tira o doce mosto.


Deu sinal a trombeta Castelhana,
Horrendo, fero, ingente e temeroso;
Ouviu-o o monte Artabro, e Guadiana
Atrás tornou as ondas de medroso;
Ouviu-o o Douro e a terra Transtagana;
Correu ao mar o Tejo duvidoso;
E as mães, que o som terríbil escutaram,
Aos peitos os filhinhos apertaram. »

Luís Vaz de Camões
Os Lúsiadas, Canto IV, 26 a 28




A vitória lusa permitiu a D. João I, O de Boa Memória, a consolidação do seu reinado. Curiosamente, este, que foi um dos maiores monarcas da nação, morreu exactamente 48 anos depois, a 14 de Agosto de 1433.

A POESIA DA VIDA



A poesia é a vida? pois claro!
Conforme a vida que se tem o verso vem
- e se a vida é vidinha, já não há poesia
que resista. O mais é literatura,
libertinura, pegas no paleio;
o mais é isto: o tolo de um poeta
a beber, dia a dia, a bica preta,
convencido de si, do seu recheio...
A poesia é a vida? Pois claro!
Embora custe caro, muito caro,
e a morte se meta de permeio.

Alexandre O'Neill

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

A ORIGEM DA VIA LÁCTEA

A Origem da Via Láctea, 1575
Jacopo Tintoretto (1518 - 1594)

Zeus, que adorava enganar e seduzir as jovens mortais, perdeu-se um dia de desejo pela jovem Alcmena. Para a enganar, tomou a forma de anfitrião, o seu marido que andava na guerra. Da união de ambos nasceu Hércules.

Para tornar o seu filho imortal, pediu a Hermes, que o levasse ao seio de Hera, a sua ciumenta esposa, para o amamentar enquanto ela dormia.
A criança sugou com tanta força que, mesmo depois de terminar, o leite continuou a jorrar para o céu formando a via láctea.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

ESSE PUNHADO DE OSSOS

Sem Título, 1999
Gil Heitor Cortesão (1967)
Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão

A Moacyr Felix

Esse punhado de ossos que, na areia,
alveja e estala à luz do sol a pino
moveu-se outrora, esguio e bailarino,
como se move o sangue numa veia.
Moveu-se em vão, talvez, porque o destino
lhe foi hostil e, astuto, em sua teia
bebeu-lhe o vinho e devorou-lhe à ceia
o que havia de raro e de mais fino.
Foram damas tais ossos, foram reis,
e príncipes e bispos e donzelas,
mas de todos a morte apenas fez
a tábua rasa do asco e das mazelas.
E ai, na areia anônima, eles moram.
Ninguém os escuta. Os ossos choram.

Ivan Junqueira

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

ROSA DE HIROSHIMA


Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada

Vinícius de Morais


Foi só há 63 anos. Era mesmo necessário?

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

domingo, 3 de agosto de 2008

LA DIVINA REGRESSA...

Callas, no camarim do Teatro São Carlos


A diva está de volta a Lisboa com uma exposição comemorativa dos cinquenta anos da apresentação da "Traviata" no São Carlos.

A mostra é composta por documentos vários, fotografias, jóias e vestuário. Entre os documentos destacam-se cartas dirigidas a Onassis, Pasolini e ao coreógrafo Maurice Bejart. Dos variados vestidos e jóias, o traje usado por Callas na "Tosca", encenada por Zeffirelli, é aquele que chama mais a atenção, assim como a coroa de Norma, criada por Christian Dior, para a produção de 1965 na Ópera de Paris.

A exposição compreende ainda um núcleo dedicado à produção da ópera "La Traviata", protagonizada por Maria Callas, em 1958, no São Carlos. O cenário do Acto II é mostrado ao público pela primeira vez, para além de fotografias inéditas, recortes de Imprensa, o programa de sala autografado pela cantora e alguma da correspondência trocada entre Ansaloni, o agente milanês da Callas, e José de Figueiredo, director do São Carlos, responsável pela vinda de Maria Callas a Lisboa.

Mais informações em: Callas Lisboa

LOVE HURTS

sábado, 2 de agosto de 2008

O BELO E O GROTESCO

The Death and Life (1916)
Gustave Klimt (1862-1918)

A propósito do artigo do Ludovicus e da respectiva Sugestão de leitura:

"Será que podemos viver sem o belo?"

Claro que não, o homem precisa do belo, assim como precisa do ar para respirar. Ele está por todo o lado: Na arte, na simples nudez de um corpo, no filme ou na canção que nos fez rir, chorar ou sonhar.

Íncubo (1781)
Johann Heinrich Füssli aka Henry Fuseli (1741-1825)

Mas será que o belo poderia existir sem o grotesco?

Que seria do mundo sem o feio? Será que conseguiríamos apreciar a verdadeira beleza das coisas?

Ilha dos Mortos (1886)
Arnold Böcklin (1827-1901)


Quem poluiu, quem rasgou os meus lençóis de linho,
Onde esperei morrer, - meus tão castos lençóis?
Do meu jardim exíguo os altos girassóis
Quem foi que os arrancou e lançou no caminho?

Quem quebrou (que furor cruel e simiesco!)
A mesa de eu cear - tábua tosca de pinho?
E me espalhou a lenha? E me entornou o vinho?
- Da minha vinha o vinho acidulado e fresco...

Ó minha pobre mãe!... Não te ergas mais da cova,
Olha a noite, olha o vento. Em ruína a casa nova...
Dos meus ossos o lume a extinguir-se breve.

Não venhas mais ao lar. Não vagabundes mais.
Alma da minha mãe... Não andes mais à neve,
De noite a mendigar às portas dos casais.

Camilo Pessanha