sábado, 30 de junho de 2007

SONG TO SAY GOODBYE



Não conhecia este comovente vídeo dos Placebo. Além de uma excelente banda em palco têm alguns dos mais belos vídeos músicais feitos nos últimos anos, este é só mais um deles.

Song to Say Goodbye

You are one of God's mistakes.
You crying, tragic waste of skin.
I'm well aware of how it aches.
And you still won't let me in.
Now I'm breaking down your door,
to try and save your swollen face.
No, I don't like you anymore
you lying, trying waste of space.
My oh my.
A song to say goodbye,
A song to say goodbye,
A song to say
Before our innocence was lost
you were always one of those
blessed with lucky 7s,
and the voice that made me cry.
My oh my.

You were mother nature's son.
Someone to whom I could relate.
Your needle and your damage done,
remains a sordid twist of fate,
now I'm trying to wake you up,
to pull you from the liquid sky.
Cause if I don't we'll both end up
with just your song to say goodbye.
My oh my.
A song to say goodbye, A song to say goodbye
A song to say
Before our innocence was lost
you were always one of those
blessed with lucky 7's,
and a voice that made me cry.

It's a song to say goodbye.
It's a song to say goodbye.
It's a song to say goodbye.
It's a song to say goodbye.
It's a song to say goodbye.
It's a song to say goodbye.
It's a song to say goodbye.
It's a song to say goodbye.

ESTOU VICIADO?

76%How Addicted to Blogging Are You?

Mingle2 - Online Dating

ELOGIO DA DIALÉCTICA


A injustiça avança hoje a passo firme
Os tiranos fazem planos para dez mil anos
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o meu começo

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos

Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga? De nós
De quem depende que ela acabe? Também de nós
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha
E nunca será: ainda hoje
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã

Bertold Brecht

DEDICADO AO NOSSO QUERIDO LÍDER


Dificuldade de governar

1

Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar. Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol
Sem a autorização do Führer?
Não é nada provável e se o fosse
Ele nasceria por certo fora do lugar.

2

E também difícil, ao que nos é dito,
Dirigir uma fábrica. Sem o patrão
As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que
Seria da propriedade rural sem o proprietário rural?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.

3

Se governar fosse fácil
Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
E só porque toda a gente é tão estúpida
Que há necessidade de alguns tão inteligentes.

4

Ou será que
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a aprender?


Bertold Brecht

sexta-feira, 29 de junho de 2007

METALLICA NO SUPER BOCK SUPER ROCK

As melhores imagens do Super Bock Super Rock.Algumas tiradas por mim.Outras como esta magnífica foto de Kirk Hammett roubadas ao Blitz.

Tudo no Arde-Rock

FLY AWARDS

"Ora bem, depois da fantástica iniciativa do blog O Sentido das Coisas de eleger as 7 Maravilhas da BlogoEsfera eu pensei para mim: ''Não seria fantástico existir um prémio para aqueles sendo maravilhas (ou não!) nos fazem sonhar e ir mais longe?"

Acho que sim, não interessa se são 7, 10, 20, 2 blogs. Decerto existem espacinhos nesta blogoesfera que todos nós adoramos visitar, por vezes sem comentários, mas que nos levam além. É belo como através deste mundo (virtual!) as pessoas mostram tanto delas. Se calhar até mais do que no seu dia-a-dia.
Por isso eu achei por bem e como uma tentiva, não de imitação das 7 Maravilhas, mas sim com o intuito de continuar a valorizar a arte de cada um. Seja ela a escrita, a fotografia, a própria originalidade de cada um, o próprio ser. Criei este blog com esse intuito. Portanto apresento os Fly Awards.
Onde não há vencedores, cabe à própria consciência de cada um escolher os blogs que acham que o merecem.
Não existe nenhum regulamento.
Apenas atribuam o prémio a quem acharem que o merece. Eu vou fazê-lo. Não é nenhuma corrente.
Não é obrigatório. Eu simplesmente senti a necessidade de o fazer. Embora anonimamente (uma vez que criei este usuário e blog somente para este fim) mas não interessa.
Os meus escolhidos saberão que conseguiram tocar alguém... Mesmo que eu seja o unico. Deixo-vos também ao critério se querem ou não divulgar esta ideia."


Isto das nomeações não pára, agora foi um Fly Awards atribuido pela Momentos.... Fico muito orgulhoso e contente por gostares de passar por aqui.

Se tenho que nomear os blogues que visito e onde me sinto bem, não há nada mais fácil; estão todos aí na barra lateral onde diz: "Outros Bairros"

Sãos os cantinhos que eu visito e comento com a regularidade que a minha apertada vida social me permite.

Entre todos eles, hoje destaco o blogue do Mário Margaride, Canto Poético, só e apenas porque é um dia muito especial para ele:

BLOG ACTIVISTA



Parece que o Momentos & Documentos me agraciou com o título de Blog Activista. Agradeço ao Ludovicus por se ter lembrado de mim.

O Blog Bodega Cultural criou o selo “Blog Activista“, que deverá ser livremente oferecido aos blogueiros que lutam por um mundo melhor.Para fazer parte do “Blog Activista” o blogueiro deverá promover e defender:A pazA liberdadeO SocialismoO meio ambienteA Igualdade de gêneroOs direitos HumanosOs movimentos sociais.
Cada blogueiro nomeado deverá nomear os blogs que tenham essas características, via e-mail ou nos comentários, não sendo necessário postar as nomeações. Cada blog nomeado deverá citar abaixo do banner, o nome do blogueiro ou do blog que o nomeou.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

ESPERANÇA


Coimbra, 31 de Dezembro de 1989

Esperança

O poema quer nascer das trevas.
Está nas palavras, e não as sei.
É como um filho que não tem caminho
No ventre da mãe.
Dói,
Dói,
Mas a negar-me teimosamente
A todos os acenos libertadores
Do desespero dilacerado.
No silêncio cansado
E paciente
Canta um galo vidente.
E diz que cada dia
Que anuncia
É sempre um dia novo
De renovo
E poesia.

Miguel Torga
Poesia Completa
Publicações D. Quixote
Imagem: Banksy, Stencil art

METALLICA NO SUPER BOCK SUPER ROCK

Ao lado de bandas como Slayer, Kreator ou Motörhead, foram uma paixão de adolescente. O problema é que os anos 80 já passaram e os novos discos já não mexem comigo. Ainda assim continuo a ouvir álbuns como "Kill 'Em All", "Ride the Lightning" ou "Master of Puppets" com a mesma paixão que os ouvia nos anos 80. Esperemos que o concerto de amanhã seja tão bom quanto o último no Rock in Rio.

Um foto bem velhinha, ainda com o malogrado Cliff Burton.

Para quem não gosta o SBSR tem outras atracções como os velhinhos Jesus and Mary Chain e os Arcade Fire.
Cartaz e outras informações: SBSR no MySpace

terça-feira, 26 de junho de 2007

OS MONSTROS ESTÃO DE VOLTA!






NÃO PASSARÃO!


Não desesperes, Mãe!
O último triunfo é interdito
Aos heróis que não o são.
Lembra-te do teu grito:
Não passarão!

Não passarão!
Só mesmo se parasse o coração
Que te bate no peito.
Só mesmo se pudesse haver sentido
Entre o sangue vertido
E o sonho desfeito.
Só mesmo se a raiz bebesse em lodo
De traição e de crime.
Só mesmo se não fosse o mudo todo
Que na tua tragédia se redime

Não passarão!
Arde a seara, mas dum simples grão
Nasce o trigal de novo.
Morrem filhos e filhas da nação,
Não morre um povo!

Não passarão!
Seja qual for a fúria da agressão,
As forças que te querem jugular
Não poderão passar
Sobre a dor infinita desse não
Que a terra inteira ouviu
E repetiu:
Não passarão!

Miguel Torga
Poesia Completa
Publicações D. Quixote
Foto: Misha Gordin

MAIS MARAVILHAS


Realmente não sei onde este pessoal anda com a cabeça. Fui de novo nomeado para as 7 Maravilhas da Blogosfera

Agradeço ao Ludovicus do Momentos & Documentos, à Avelaneira Florida e ao Flash da Ternura dos 40 por me considerarem uma maravilha.

Queria também agradecer à Avelaneira Florida(de novo) e à Citizen Mary por mais duas nomeações desta feita para o Cinema Paraíso.

Meus amigos não vou nomear mais ninguém, ainda por cima sempre que faço nomeações elas fazem ricochete e voltam-se contra mim.
Obrigado a todos.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

THE ROLLING STONES





Eles estão de volta.
Logo à noite na casa de banho mais linda de Portugal.

ALTAMONT 1969

A Tragédia de Altamont, assim morria o veraõ do amor.

Assim morria uma época.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

7 MARAVILHAS DA BLOGOSFERA

Confesso que este ainda não conhecia.
A Gasolina nomeou-me para as 7 Maravilhas da Blogosfera. Não sei onde ela anda com a cabeça mas agradeço-lhe muito por me honrar com esta nomeação.

O conceito e regulamento partiram do O Sentido das Coisas,

http://osentidodascoisas.blogspot.com/

Lá poderão consultar e proceder em conformidade.
Ao contrário do que é habitual desta vez vou seguir com as nomeações. A escolha não é fácil vão ficar muitos blogues de fora mas aqui vai:
E por fim, desculpa Wind mas esta tinha que ser

DITIRAMBO


Meu maresperantotòtémico
minha màlanimatógrafurriel
minha noivadiagem serpente
meu èliòtròpolipo polar

meu fiambre de sol de roseira
minha musa amiantulipálida
meu lustrefrenado céu grande
minha afiàurora-manhã

minha fôgoécia de estátuas
minha lábioquimia cerrada
minha ponta na terra meu arsgrima

meu diamantermita acordado!

Mário Cesariny
Pena Capital
Edição Assírio & Alvim
Imagem: Álvaro Rovira
Wikipedia: Ditirambo

O ECO DAS PALAVRAS


Meus amigos, é já no fim deste mês que o Mário Margaride vai lançar o seu primeiro livro.

Penso que a maior parte dos visitantes do Bairro do Amor já conhece a poesia dele e pode atestar a sua qualidade.
Para os que não conhecem podem visitá-lo aqui:


Dia 29 de Junho em Matosinhos no Blá Blá.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

DE PROFUNDIS AMAMOS


Ontem
às onze
fumaste
um cigarro
encontrei-te
sentado
ficámos para perder
todos os teus eléctricos
os meus
estavam perdidos
por natureza própria

Andámos
dez quilómetros
a pé
ninguém nos viu passar
excepto
claro
os porteiros
é da natureza das coisas
ser-se visto
pelos porteiros

Olha
como só tu sabes olhar
a rua os costumes

O Público
o vinco das tuas calças
está cheio de frio
e há quatro mil pessoas interessadas
nisso

Não faz mal abracem-me
os teus olhos
de extremo a extremo azuis
vai ser assim durante muito tempo
decorrerão muitos séculos antes de nós
mas não te importes
não te importes
muito
nós só temos a ver
com o presente
perfeito
corsários de olhos de gato intransponível
maravilhados maravilhosos únicos
nem pretérito nem futuro tem
o estranho verbo nosso

Mário Cesariny
Pena Capital
Edição Assírio & Alvim
Imagem: Carla Salgueiro, Olhares

ABRA BEM OS OLHOS 2


Ainda a propósito do post anterior quis também postar sobre isto: Crianças marcadas para morrer

Nem sequer tive estômago para ver a reportagem na televisão.

Absolutamente imperdoável o que esta gente fez. Infelizmente a gente sabe que isto se repete um pouco por todo o mundo.

ABRA BEM OS OLHOS


350 000 crianças por ano assistem a cenas de violência doméstica.
80 0000 crianças abusadas fisicamente todos os anos.
100 000 crianças por ano sofrem abusos sexuais.

Isto num país como a Holanda com um elevado nível de desenvolvimento como a Holanda. Imaginemos agora como será noutros países menos desenvolvidos.

"Abra Bem os Olhos" é o lema desta campanha holandesa que visa alertar as pessoas para a violação dos direitos das crianças.

http://www.ikzieikziewatjijnietziet.nl/index_en.asp

Visto no: Cegueira Lusa

quarta-feira, 20 de junho de 2007

FLORES


Se há coisa que eu adoro fazer é pegar na máquina e sair por esses campos fora. Nada como passear pela natureza perdido nos meus pensamentos, tendo apenas por companhia o chilrear dos pássaros e o barulho das cigarras. Se as cigarras ainda não se ouvem, os pássaros já vão sendo uma boa companhia e as flores também.
São elas os meus modelos preferidos.

Fotos: Papagueno
Mais Imagens Aqui: Imaginens
E aqui: O Meu Bairro

HÁ UMA HORA



«Há uma hora, há uma hora certa
que um milhão de pessoas está a sair para a rua.
Há uma hora, desde as sete e meia horas da manhã
que um milhão de pessoas está a sair para a rua.
Estamos no ano da graça de 1946
em Lisboa, a sair para, o meio da rua.
Saímos? Mas sim, saímos!
Saímos: seres usuais, gente gente! olhos, narinas, bocas,
gente feliz, gente infeliz, um banqueiro, alfaiates, telefonistas,
varinas, caixeiros desempregados,
uns com os outros, uns dentro dos outros
tossicando, sorrindo, abrindo os sobretudos, descendo aos
mictórios para apanhar eléctricos,
gente atrasada em relação ao barco para o Barreiro
que afinal ainda lá estava apitando estridentemente,
gente de luto, normalmente silenciosa
mas obrigada a falar ao vizinho da frente
na plataforma veloz do eléctrico, em marcha,
gente jovial a acompanhar enterros
e uma mãe triste a aceitar dois bolos para a sua menina.
Há uma hora, isto: Lisboa e muito mais.
Humanidade cordial, em suma,
com todas as consequências disso mesmo
e a sair a sair para o meio da rua. (...)»

Mário Cesariny

EARTH TO AMERICA



Esperemos que hoje consiga entrar.

Visto no Und3rblog

terça-feira, 19 de junho de 2007

MEME LITERÁRIO, AL BERTO


Hoje lá recebi mais um desafio. Desta vez foi a minha amiga Vareira do blog É do Nosso Mar que me desafiou para um Meme Literário. Obrigado Vareira, vou então falar do poeta Al Berto.

Alberto Raposo Pidwell Tavares, (Coimbra, 11 de Janeiro de 1948 — Lisboa, 13 de Junho de 1997), que adoptou o pseudónimo de Al Berto, foi um poeta e editor português.

Nascido no seio de uma família da alta burguesia (origem inglesa por parte da avó paterna). Um ano depois foi para o Alentejo, é em Sines onde passa toda a infância e adolescência até que a familia decide enviá-lo para o estalebecimento de ensino artístico Escola António Arroio, em Lisboa.

A 14 de Abril de 1967 foi estudar pintura para a Bélgica, na École Nationale Supérieure d’Architecture et des Arts Visuels (La Cambre), em Bruxelas.

Após concluir o curso, decide abandonar a pintura em 1971 e dedicar-se exclusivamente à escrita. Regressa a Portugal a 17 de Novembro de 1974 e aí escreve o primeiro livro inteiramente na língua portuguesa, À Procura do Vento num Jardim d'Agosto.

O Medo, uma antologia do seu trabalho desde 1974 a 1986, é editado pela primeira vez em 1987. Este veio a tornar-se no trabalho mais importante da sua obra e o seu definitivo testemunho artístico, sendo adicionados em posteriores edições novos escritos do autor, mesmo após a sua morte. Deixou ainda textos incompletos para uma ópera, para um livro de fotografia sobre Portugal e uma «falsa autobiografia», como o próprio autor a intitulava.

Morreu de linfoma.

Fonte: Wikipedia


Amor dos Fogos

.....vêm sôfregos os peixes da madrugada
beber o marítimo veneno das grandes travessias
trazem nas escamas a primavera sombria do mar
largam minúsculos cristais de areia junto à boca
e partem quando desperto no tecido húmido dos sonhos
.... vem deitar-te comigo no feno dos romances
para que a manhã não solte o ciúme
e de novo nos obrigue a fugir....
.... vem estender-te onde os dedos são aves sobre o peito
esquece os maus momentos a falta de notícias a preguiça
ergue-te e regressa
para olharmos a geada dos astros deslizar nas vidraças
e os pássaros debicam o outono no sumo das amoras....
.... iremos pelos campos
à procura do silente lume das cassiopeias...


Al Berto


Escolhi Al Berto, um dos grandes poetas da nossa língua. Além de mestre no uso das palavras foi um lutador e um sofredor. O sofrimento vem espelhado em muitos dos seus poemas, o lutador porque ao longo da sua vida travou algumas batalhas. A última foi a mais dura, uma batalha perdida contra uma doença cruel que o levou do mundo dos vivos com apenas 49 anos.
Tal como nos últimos desafios vou optar por não o reenviar para ninguém. Como de costume fica por aqui livre para quem o quiser levar.
Mais uma vez obrigado à Vareira e um grande beijo para ti.

MINHA MEMÓRIA É UM RIO CAUDALOSO


Minha memória é um rio caudaloso
Onde, às vezes, eu me vejo submersa,
Afogada, asfixiada.
É um rio de torrentes que me arrasta
E me joga de um lado para outro,
Contra rostos, mãos, casas, esperanças,
Idéias, planos, ruas, despedidas,
Montes, mares, angústias e caminhos,
Pernas, pés, praias, solidão...
Estendo as mãos, as margens longe...
E vou me debatendo
Até que a voz do tempo
E o correr dos dias
Me salvem de mim mesma
E me coloquem outra vez
Nas margens tranqüilas do esquecer

Regina Werneck

segunda-feira, 18 de junho de 2007

domingo, 17 de junho de 2007

BLOGGER CASTRADO NÃO!


Liberdade de expressão e liberdade de imprensa, bastam estas duas expressões para causar um grave ataque de urticária ao nosso primeiro ministro. os exemplos são vários: A manipulação da informação na RTP e RDP, a tentativa de manipular e amordaçar os jornalistas, a mania salazarenta de arranjar "bufos" por toda a parte que despoletou o caso Charrua, e a exclusão da Associação de Professores de Matemática de uma comissão de acompanhamento por críticas à Ministra da Educação.

Hoje deu-se mais uma machadada na liberdade de expressão em Portugal:

António Balbino Caldeira é o editor do blog Do Portugal Profundo e foi o responsável pela investigação e divulgação do caso das habilitações académicas de Sócrates.

Acontece que hoje Balbino Caldeira foi convocado para prestar declarações como arguido no âmbito de inquérito judicial relativo ao assunto do percurso académico (e utilização do título de engenheiro) de José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa.

Esta é mais uma vergonhosa tentativa de calar uma voz incómoda para o governo. Eu como colega blogger do António estou aqui para manifestar a minha solidariedade e deixar um aviso ao "Engenheiro" Sócrates: Ele pode tentar calar quem quiser mas a blogosfera não vai conseguir de certeza.

Podemos ser suspensos, arguidos ou despedidos mas não nos calamos. Lembrando as palavras do grande Ary dos Santos:

«Serei tudo o que disserem: Poeta castrado não!»

DESAFIO LITERÁRIO


Mal tinha acabado o anterior e logo me surgiu um novo desafio.
Desta vez foi a Gasolina do blog Flor da Palavra a passar-me o Desafio Literário.

O desafio consiste em indicar 5 livros que tenham sido referenciais de alguma forma e ainda, qual ou quais estão em leitura actual.

Começo não com um livro mas com um autor, Eça de Queiroz. Toda a obra dele é para mim uma referência. Seria pois difícil escolher entre "Os Maias", a Cidade e as Serras", "A Relíquia", "O Crime do Padre Amaro" e tantos outros.
Eça à parte, aqui estão as minhas escolhas:

- "O Processo" de Kafka

- "As Canções" de António Botto

- "Poesia Completa" de Miguel Torga

- "Obra Poética" de José Carlos Ary dos Santos

- "Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada" de Pablo Neruda

Escolhi estes poetas porque são os que estão neste momento perto da minha cabeceira. Também caberiam cá o Cesariny, o Caeiro, o Al Berto ou a Florbela. É difícil escolher só cinco referências quando tenho tantas.

Mais uma vez não vou passar o desafio, fica por aqui para quem quiser pegar nele.

CUPIDO-FONTE DO AMOR


O Flash da Ternura dos Quarenta apanhou-me distraido e lá me meteu em trabalhos.
Muito obrigado meu amigo por considerares este blog digno de receber tal prémio. Acho que já era o único que me faltava receber.

Com a ajuda da minha amiga Florbela deixo aqui uma mensagem de amor para todos:

OS VERSOS QUE TE FIZ

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...D
eixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

Florbela Espanca

Desculpem-me se sou um quebra-correntes mas não vou passar a ninguém. Vou antes desafiar todos os meus visitantes a prosseguirem o Cupido, quem quiser não se acanhe.

sábado, 16 de junho de 2007

3 EM 1

(clique na imagem para ampliar)



Fabulosa esta imagem que eu roubei ao André Benjamim . Numa praia de Perth, um magnífico fogo-de-artifício, associou-se a dois fenómenos naturais para deliciar as pessoas que foram até à praia presenciar o espectáculo.

Aliada à pirotecnia, uma enorme trovoada veio rasgar os céus Australianos enquanto que, pelo meio, passava, muito timidamente, o Cometa McNaught (visivel à direita do fogo-de-artifício).

sexta-feira, 15 de junho de 2007

A PORTA BRANCA


Por detrás desta porta,
uma de todas as portas que para mim se abrem e se fecham,
estou eu ou o universo que eu penso.
Deste meu lado, dois olhos que vigiam
os fenómenos naturais, incluindo a celeste mecânica
e as sociedades humanas, sedentárias e transumantes.

Mas podem os olhos fazer a sua enumeração,
e pode o pensado universo infindamente ir-se,
que para mim o que hoje importa
é aquela olhada vaga porta.

Que ela seja só como a vejo, a porta branca,
com duas almofadas em recorte,
lançada devagar sobre o vão do jardim,
onde o gato, por uma fenda aberta
pela sua pata, tenta ver-me,
tão alheio a versos e a universos.

Fiama Hasse Pais Brandão
Cena Vivas
Relógio d´Água

quarta-feira, 13 de junho de 2007

EUGÉNIO E PESSOA

Continuando a evocar os grandes poetas, Fernando Pessoa faria hoje 119 anos e Eugénio de Andrade morreu há dois anos, também num dia 13 de Junho.


Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.

Alberto Caeiro
O meu heterónimo preferido.
Imagem: Joe Sorren



As palavras que te envio são interditas

As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.

Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
estas mãos nocturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.

E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.

Eugénio de Andrade
Foto: Jannie Regnerus

VASCO SANTANA

O Looking4good do blogue Nothingandall não me deixa esquecer destas efemérides e lá me lembrou que no dia 13 de Junho, além de se comemorar o Santo António, é um dia muito marcante para a cultura portuguesa.
Foi no dia do popular santo que há 49 anos atrás falecia o não menos popular actor Vasco Santana.



Aqui fica uma homenagem, mais uma vez, com o Fado do Estudante, numa famosa cena do filme "A Canção de Lisboa".
Já agora deixo aqui a pergunta:
Vocês sabem o que é o mastoideu?
Não?
Nem eu!

AL BERTO, NOS 10 ANOS DA SUA MORTE

Alberto Raposo Pidwell Tavares
11 de janeiro 1948
13 de Junho 1997

«Tocar a luz, qualquer luz, não consegue ressuscitar nada. Sílaba a sílaba tudo continua imóvel. Mesmo quando as palavras se agitam e são voláteis, cortam a respiração – ou quando são vegetais e largam um fio de seiva quente na língua.
Porque é do silêncio poroso do anjo mudo, da fala incandescente do seu olhar que, de quando em quando, surge o poema.»
Al Berto, Incêndio



Vestígios

noutros tempos
quando acreditávamos na existência da lua
foi-nos possível escrever poemas e
envenenávamo-nos boca a boca com o vidro moído
pelas salivas proibidas - noutros tempos
os dias corriam com a água e limpavam
os líquenes das imundas máscaras

hoje
nenhuma palavra pode ser escrita
nenhuma sílaba permanece na aridez das pedras
ou se expande pelo corpo estendido
no quarto do zinabre e do álcool - pernoita-se

onde se pode - num vocabulário reduzido e
obcessivo - até que o relâmpago fulmine a língua
e nada mais se consiga ouvir

apesar de tudo
continuamos e repetir os gestos e a beber
a serenidade da seiva - vamos pela febre
dos cedros acima - até que tocamos o místico
arbusto estelar
e
o mistério da luz fustiga-nos os olhos
numa euforia torrencial

Al-Berto
Horto de Incêndio

Imagem: La Luna de Joe Sorren

terça-feira, 12 de junho de 2007

HISTÓRIA DE PORTUGAL EM 7 MINUTOS

Para que ninguém diga que o Papagueno não é um patriota aqui fica um mini-resumo da gloriosa história do nosso país.
"Os Heróis do Mar", de D. Afonso Henriques ao Cristiano Ronaldo.



Roubado ao Xicórias

segunda-feira, 11 de junho de 2007

EXCITADO

É URGENTE O AMOR


É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

Eugénio de Andrade

domingo, 10 de junho de 2007

ERROS MEUS...



Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que pera mim bastava amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.

Errei todo o discurso de meus anos;
Dei causa [a] que a Fortuna castigasse
As minhas mal fundadas esperanças.

De amor não vi senão breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Génio de vinganças!

Luís de Camões

DIA DE PORTUGAL


Hoje é dia da nação, sabiam?
Da maneira como isto está cada vez me convenço que D. Afonso Henriques deveria ter ficado sossegadinho lá no seu cantinho.

Desculpem-me mas se assim fosse, hoje teriamos salários melhores, uma economia em forte crescimento, um povo com uma mentalidade mais aberta e preços mais baixos e tinhamos também o Almodovar a fazer filmes sobre prostitutas em vez do João Botelho.

Bem, mas por outro lado estariamos, muito provávelmente, a meter bombas por aí para nos tornarmos independentes, eramos muito mais barulhentos do que somos, comiamos paelha e tapas em vez de cozido e feijoada.

SMASHING PUMPKINS

Billy Corgan playing in the rain
Foto: Blitz

sábado, 9 de junho de 2007

VOU ESMAGAR ABÓBORAS

Até amanhã meus amigos. Tenho um encontro marcado com este senhor para logo à noite.

ASSIM SEM VOCÊ

HÁ PALAVRAS QUE NOS BEIJAM


Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill
Imagem: grENDel, Olhares.com

sexta-feira, 8 de junho de 2007

NAVIO DE ESPELHOS



Cesariny encontra Rodrigo Leão, LINDO!

O NAVIO DE ESPELHOS

O navio de espelhos
não navega cavalga

Seu mar é a floresta
que lhe serve de nível

Ao crepúsculo espelha
sol e lua nos flancos

Por isso o tempo gosta
de deitar-se com ele

Os armadores não amam
a sua rota clara

(Vista do movimento
dir-se-ia que pára)

Quando chega à cidade
nenhum cais o abriga

O seu porão traz nada
nada leva à partida

Vozes e ar pesado
é tudo o que transporta

(E no mastro espelhado
uma espécie de porta)

Seus dez mil capitães
têm o mesmo rosto

A mesma cinta escura
o mesmo grau e posto

Quando um se revolta
há dez mil insurrectos

(Como os olhos da mosca
reflectem os objectos)

E quando um deles ala
o corpo sobre os mastros
e escruta o mar do fundo

Toda a nave cavalga
(como no espaço os astros)

Do princípio do mundo
até ao fim do mundo

Mário Cesariny

Visto no Planeta Sagrado

TOMATES

O tomate (do náuatle tomatl) é o fruto do tomateiro (Solanum lycopersicum; Solanaceae), embora imprópriamente considerado como legume pelos leigos.
Originário da América Central e do Sul, era amplamente cultivado e consumido pelos povos pré-colombianos, sendo actualmente cultivado e consumido em todo o mundo.

Fonte: Wikipedia

O tomate é um dos mais populares frutos do mundo. Imprescindível em qualquer salada é também delicioso cozinhado de diversas formas ou simplesmente comido cru com uma pitadinha de sal grosso.

Em termos nutricionais é rico em vitaminas A, B e C, sais minerais como Fósforo, Ferro, Potássio e Magnésio e muito pobre em calorias.
A vitamina A é indispensável para a normalidade da vista, mucosas e pele, auxilia o crescimento e evita infecções.
As vitaminas do Complexo B ajudam na regularização do sistema nervoso e aparelho digestivo, tonificam o músculo cardíaco, colaboram para a pele e para o crescimento. Já a vitamina C, principal componente do tomate, dá resistência aos vasos sanguíneos, vitalidade às gengivas, evita a fragilidade dos ossos e má formação dos dentes, contribuindo no combate a infecções e cicatrização de ferimentos.
O tomate é excelente vigorizador do organismo, purificador do sangue, combate doenças do fígado, o desgaste mental, perturbações digestivas e pulmonares, sendo contra-indicado para pessoas que sofram de fermentações gástricas e acidez no estômago.

Segundo os cientistas o tomate é, entre os frutos vermelhos, um dos mais saudáveis pois constitui a fonte mais abundante de licopeno. O licopeno é um caroténoide e é ele que confere a cor vermelha ao fruto. Esta substância é um poderoso antioxidante que combate os radicais livres, retarda o envelhecimento e tem propriedades anticancerígenas. É bastante eficaz, nomeadamente, na prevenção do cancro da próstata.
Por isso homens comam tomates que só vos faz é bem e quanto mais vermelhinhos melhor.


Depois do Cinema Paraíso (ao qual respondi aqui) foi a vez do Bairro do Amor ser agraciado com o troféu Blog com Tomates.

Agradeço ao Jorge do blog Vagabundices por me ter honrado com este prémio.

Desculpa mas não vou passar outra vez os tomates, ainda mais porque quase todos os blogues que visito já foram agraciados.

quinta-feira, 7 de junho de 2007

WHO WILL LOVE ME NOW


In the forest, is a monster
It has done terrible things
So in the wood, it's hiding
And this is the song it sings

Who will love me now?
Who will ever love me?
Who will say to me
"You are my desire, I set you free?"

(Who will love me now?)

Who will forgive and make me live again?
Who will bring me back to the world again?

In the forest, is a monster
And it looks so very much like me
Will someone hear me singing?
Please save me, please rescue me

Who will love me now?
Who will ever love me?
Who will say to me
"You are my desire, I set you free?"

Who will love me now?
Who will ever love me?
Who will say to me
"You are my desire, I set you free?"

(Who will love me now?)
(Who will ever love me?)

Who will love me now?
Who will ever love me?
Who will love me now?
Who will ever love me?
Who will love me now?
Who will ever love me?

P.J. Harvey

quarta-feira, 6 de junho de 2007

PORQUE ME NEGAS UM BEIJO?

René Magritte (1898-1967)
The Lovers. 1928. Oil on canvas. 54.2 x 73 cm


Porque me negas um beijo?

Teu hostil retraimento
Amolece os restos do meu alento
Para a vida
E aumenta o meu desejo...
Porque me negas um beijo,
Linda boca,
- Flor mordida?

A minha tristeza
Provém do teu hostil retraimento
E também
Do incerto e trágico destino
Que nós temos;
Desse mistério insondável
Que nos rodeia
E do pouco que nós somos
Na eterna corrente das coisas.

Porque me negas um beijo?

António Botto
As Canções
Editorial Presença, 1999

terça-feira, 5 de junho de 2007

DIA MUNDIAL DO AMBIENTE


"A natureza é o único livro que oferece um conteúdo valioso em todas as suas folhas."

Goethe
.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

PARA COMEÇAR BEM A SEMANA



Este filme foi recebido por mail e enviado por uma amiga. Corri logo ao You Tube à procura dele.
Oscar para Melhor Curta Metragem de Animação em 1997.

domingo, 3 de junho de 2007

O AMARELO DA CARRIS


O amarelo da Carris
vai da Alfama à Mouraria,
quem diria.
Vai da Baixa ao Bairro Alto,
trepa à Graça em sobressalto,
sem saber geografia.

O amarelo da Carris
já teve um avô outrora,
que era o xora???.
Teve um pai americano,
foi inglês por muito ano,
só é português agora.

Entram magalas, costureiras;
descem senhoras petulantes.
Entre a verdade, os peliscos e as peneiras,
fica tudo como dantes.

Quero um de quinze p'ra a Pampuia.
Já é mais caro este transporte.
E qualquer dia,
mudo a agulha porque a vida
está pela hora da morte.

O amarelo da Carris
tem misérias à socapa
que ele tapa.
Tinha bancos de palhinha,
hoje tem cabelos brancos,
e os bancos são de napa.
No amarelo da Carris
já não há "pode seguir"
para se ouvir.
Hoje o pó que o faz andar
é o pó (???)
com que ele se foi cobrir.

Quando um rapaz empurra um velho,
ou se machuca uma criança,
então a gente vê ao espelho o atropelo
e a ganância que nos cansa.
E quando a malta fica à espera,
é que percebe como é:
passa à pendura
um pendura que não paga
e não quer andar a pé.

Entram magalas, costureiras;
descem senhoras petulantes.
Entre a verdade,
os peliscos e as peneiras,
fica tudo como dantes.
Quero um de quinze p'ra a Pampuia.
Já é mais caro este transporte.
E qualquer dia,
mudo a agulha porque a vida
está pela hora da morte.

Letra: José Carlos Ary dos Santos
Música: José Luís Tinoco
Voz: Carlos do Carmo

sábado, 2 de junho de 2007

TENHO A CERTEZA


Tenho a certeza
De que entre nós tudo acabou.
- Não há bem que sempre dure,
E o meu, bem pouco durou.
Não levantes os teus braços
Para de novo cingir
A minha carne de seda;
-Vou deixar-te, vou partir!

E se um dia te lembrares
Dos meus olhos de bronze
E do meu corpo franzino,
Acalma
A tua sensualidade
Bebendo vinho e cantando
Os versos que te mandei
Naquela tarde cinzenta!

Adeus!
Quem fica sofre, bem sei;
Mas sofre mais quem se ausenta!

António Botto
As Canções
Editorial Presença, 1999
Foto: Marlino Thorlacius

sexta-feira, 1 de junho de 2007

PIRATA


Sou o único homem a bordo do meu barco.
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos,
E o meu desprezo reina sobre o mar.

Gosto de uivar no vento com os mastros
E de me abrir na brisa com as velas,
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.

A minha pátria é onde o vento passa,
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo deste sonho e nunca durmo.

Sophia de Mello Breyner

FESTIVAL DE SINTRA 2007

Arranca hoje no Palácio Nacional de Queluz mais uma grande festa da dança e da música. Entre o dia 1 e o dia 15 de Julho o concelho de Sintra recebe alguns dos mais consagrados músicos do mundo e algumas jovens promessas.
Hoje por volta das 21h30, o pianista português Sequeira Costa, abre a festa com os Nocturnos de Chopin que eu tanto adoro.

Para mais informações vejam o Programa

DIA MUNDIAL DA CRIANÇA



Uma canção de 1974 do Álbum "Everyone Is Everybody Else" e que infelizmente continua tão actual, a única coisa que muda são os nomes dos países:

I'm a child of South Africa
I'm a child of Vietnam
I'm a child of Northern Ireland
I'm a small boy with blood on his hands
Yes I'm a child of the universe
Yes I'm a child of the universe
You can see me on the TV every night
Always there to join in someone else's fight

I didn't ask to be born and I don't ask to die
I'm an endless dream, a gene machine
That cannot reason why

Yes I'm a child of the universe
Yes I'm a child of the universe
You can see me on the TV every day
I'm the child next door three thousand miles away

Barclay James Harvest